Quarta-feira, 04 de Novembro de 2009

 Tenho saudades:

 

Dos meus livros;

Do cheiro dos meus livros;

Dos livros que já li;

Dos que quero ler;

Dos  que quero voltar a ler;

Dos que preciso voltar a ler;

Dos que quero comprar;

De ter tempo para reflectir sobre o que li;

De beber o meu café com tempo e ler o jornal fresquinho da manhã;

De levar pelo braço os meus livros;

De abrir os mais antigos e ler os sublinhados ou as dobras que  fiz;

De estar com um e me lembrar de outro e ir à sua procura;

De ter vários espalhados no carro e ir buscar um num engarrafamento;

De esperar pelos meus filhos e ler meio capítulo de um dos livros que andam na pasta;

Dos livros que ia desencantar para ilustrar melhor uma ideia ou uma aula;

Dos livros que levava para mostrar aos meus alunos;

Do tempo em que não me esquecia (por cansaço e pressa) de os levar para uma aula;

De não conseguir adormecer sem os ler;

De ler muito e aprender mais em cada releitura;

De ter tempo para aprender e assim poder ensinar com uma alma mais criativa e mais larga;

De ter tempo para reflectir sobre a melhor orientação a dar a uma aula e de escolher o livro, a imagem ou a citação que ajudariam a captar a atenção e a motivação dos alunos.

De ser a professora que gosto e sei ser...

 Penso que me compreendem.

 

 

Nota nº 1: A quantidade de reuniões, actas, gráficos, fichas, relatórios individuais e de turma, planificações, planos curriculares e testes diagnósticos que nos soterram e roubam todo o tempo disponível e subvertem o conteúdo funcional da nossa profissão..Estão a matar o processo criativo que também é um aula..

Estão a fazer de nós autênticos tarefeiros sem luz.

As horas e os quilómetros diários tiram-me (a nós professores empenhados) a "alma" que precisamos ter cada manhã ao começar o dia com os nossos alunos.

Não são "papéis" ou máquinas que temos à nossa frente em cada aula...

São jovens em formação - É uma responsabilidade do tamanho do mundo, percebem?

 

 Nota nº 2: Ainda de ter tempo para ler com tempo e atenção, autores como Lévi-Strauss, recentemente desaparecido, que nos ajuda a "explicar" o Mundo aos nossos alunos.

Laurinda Alves fale dele hoje, aqui:

 www.ionline.pt/conteudo/31286-a-vocacao-das-ciencias-humanas

 

 

 



publicado por Marta M às 23:22
Ui... a minha aventura da semana passada deu para perceber que essa é a triste realidade das escolas. Os professores são afundados num oceano de burocracias e aquilo que deveria ser a principal função - dar aulas aos alunos o que implica a sua preparação, que a ser bem feita, leva tempo e implica muito trabalho e criatividade do professor - é completamente abafadea, senão mesmo relegada para um plano último de preocupações. Comecei a pensar se realmente quero entrar nesse sistema de ensino onde faria de tudo, menos o que realmente gostaria: dar aulas em condições.
É uam realidade triste, não é?! Quem paga as favas são os alunos... e depois discute-se o insucesso escolar e o diabo a 9, tentam-se encontrar estratégias para melhorar o ensino e os seus resultados nos alunos, mas esquecem-se sempre de começar por melhorar as condições de vida e trabalho dos professores.
Força!! Talvez um dia surja um iluminado que mude isto...
Bjitos
raio-de-luar a 5 de Novembro de 2009 às 00:18

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Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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