Quarta-feira, 02 de Setembro de 2009

Auschwitz  victim shoes

 

Museu do Holocausto em Auschwitz (malas dos judeus que chegavam ao Campo)

 

Ontem, 1 de Setembro,  assinalou-se (não se "comemora" como ingenuamente escutei na rádio!) o início da 2ª Guerra Mundial. Em 1939 o exército alemão invade a Polónia e dois dias depois, a França e Inglaterra declaram guerra à Alemanha (haverá proferimento mais indigno?).

A partir daqui foi a barbárie e o retrocesso civilizacional que se conhece (espero eu!). É certo que, tudo somado, este segundo conflito do século XX, resultara de muitos traumas e questões mal resolvidas, humilhações e acertos de contas pendentes desde a Guerra de 1914-1918. Os cidadãos do mundo viviam, como nós agora, uma crise que esteve na origem de grandes mudanças políticas e do abuso de alguns que conseguiram convencer outros que, pelo extermínio e pela força, se resolveriam os problemas sociais e o desemprego...Foi com estas promessas de vingança das humilhações sofridas, da reorganização económica e da "devolução do posto de trabalho" aos 6 milhões de desempregados, que Hitler ganha as eleições de 1932 de forma legítima e democrática.

Sim, leram bem - foi democraticamente eleito e aclamado por milhões de pessoas desesperadas por mudanças. E recorde-se que ele já deixara pistas muito evidentes do que propunha fazer no seu livro Main Kampf...Acredito que apenas um contado número dos seus eleitores o tenham lido. Valha-nos isso.

Tomando medidas anti-democráticas, Hitler torna o Partido Nazi partido único e, acumulou em si poderes e cargos praticamente ilimitados.Com uma doutrina fundada no racismo, onde raças eram hierarquizadas como superiores e inferiores, sendo os Judeus considerados a "raça inferior" mais "perigosa" e portanto, a "extinguir"....

As fotografias que acompanham este post, oriundas do Museu do Holocausto, ilustram e pretendem honrar a memória ( lembrar!) de todos os que perderam a vida (mais ou menos 6 Milhões) nesta época vergonhosa da História da humanidade...E foram muitos os que sabiam e, até, apoiaram. E não foram só os mais atingidos pela crise e portanto mais propensos a acreditar em qualquer saída,  foram também pessoas de apurada cultura e "sensibilidade" (?) que aplaudiram o Chanceler...

Alguns generais liam e escutavam Bach e Mozart, enquanto dirigiam os Campos de Concentração.Faziam festas de aniversário para os seus filhos enquanto, ao lado, outros meninos depositavam os seus sapatinhos na pilha que se reproduz em cima e se dirigiam para os "duches"...

Como professora de História e observando o correr dos séculos, percebo que a natureza humana tem mudado muito pouco para além dos contextos inerentes a cada época.Os seres humanos têm uma agressividade latente sempre pronta a vir ao de cima em determinadas condições e essa condição parece-me, tantas vezes, imune às aprendizagens que fomos acumulando, quer pessoalmente, quer como povo global. Por isso se repetiram guerras em pleno século XX, por isso nos deixámos chegar a uma crise que se parece perigosamente com a de 1929..

Exactamente por isso, porque é preciso equilibrar a balança e evitar alguns cenários, é preciso relembrar mil vezes que, certos caminhos, não levam a nada e que apenas novas propostas de diálogo e respeito por todos e cada um, conseguem encontrar um caminho que seja para todos e não exclua ninguém.

Não vá o excluído, em desespero e mal esclarecido, enveredar por caminhos sem futuro e que apenas nos vão oferecer a TODOS desilusão e mais do mesmo.

Já chega.

 

Nota: A propósito dos caminhos da "maldade humana", aconselho este belo texto (mais um) da Laurinda Alves. Aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/21108-tambem-ha-fritzls-em-portugal



publicado por Marta M às 19:25
Olá

Faço aqui o meu primeiro comentário neste blog da Marta e queria agradecer-te, desde já, por teres partilhado este teu espaço comigo, no qual me consigo distrair um pouco e ler artigos interessantes que fazem uma pessoa reflectir.

Quanto a este artigo em si queria dizer que, como é óbvio para todas as pessoas com um pingo de "Bem" nos seus corações, isto é uma coisa lamentável, chocante, inaceitável, incompreensível e de uma maldade que não se percebe como pode ser humanamente possível.

Infelizmente, do que conheço da História do Mundo (e falo depois do tempo de Jesus Cristo para não ir mais longe) tem vindo a ser barbaridades umas atrás das outras. Desde o Império Romano à Inquisição da Igreja Católica (este deve ser o caso que mais me "espanta", acho que pelos motivos óbvios: supostamente (?), deviam ser quem devia praticar mais o Bem e menos o Mal) , às guerras entre países (ou melhor: reinos), já para não referir os crimes "individuais" que não estão ligados a nenhuma instituição (homícidios, violações, torturas, etc.), não chegando às guerras mundiais que foram "ontem".

Como cristão que sou (não católico pois basta a Inquisição na sua história e conhecer-se a Bíblia, base das Igrejas Cristãs para, na minha opinião, poder-se dizer que é uma Igreja tudo menos cristã)*, todo este género de atrocidades faz-me uma impressão tal que se não fosse cristão (ou seja, só acreditasse nesta vida e que não seria feita justiça aos "bons" e aos "maus") penso que deprimia de vez. Isto pois vemos pessoas inocentes, boas pessoas, que não fariam mal a ninguém, a morrer, sofrer fisica e psicologicamente no passado, no presente e no futuro vai continuar. O Mal, infelizmente, é uma coisa que vai durar enquanto houver mundo.

É um mundo onde há a bondade e o amor mas onde também a maldade e crueldade e onde tudo o que se pensa que seria impensável acontece.

*Note-se que falo da Igreja como instituição. Há muita boa gente na Igreja Católica com os princípios correctos e vários católicos que conheço que estimo bastante.

Bruno Nunes

P.S. Peço desculpa pelo alongamento no tamanho do comentário e pelos acrescentos excessivos entre parênteses :)
Bruno Nunes a 6 de Setembro de 2009 às 02:19

Bruno:
É um gosto receber o teu primeiro comentário e verificar o que já se percebia em ti: uma enorme sensibilidade e uma inquietação que te há de levar longe na vida e no no teu crescimento como pessoa.
Concordo com o que escreves e partilho contigo a esperança de que a justiça se vá fazendo, neste ou em outro mundo (dimensão?)...Ainda que, esteja na nossa mão lutar renovadamente por ela, todos os dias, em diversos campos.
Contribuindo para que ela se faça, portanto.
Muito Obrigada pela tua visita e conto com os teus comentários.
Abraço grande.
Marta M R
Marta M a 6 de Setembro de 2009 às 22:36

Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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