Quinta-feira, 03 de Março de 2011

Vim ontem da escola com esta pergunta a fazer eco dentro de mim...

Isto a propósito do episódio que ocorreu ontem entre duas colegas no contexto de uma reunião interminável e, convenhamos, feitas as contas - pouco produtiva.

Mas há que cumprir o calendário prescrito pelo Ministério da Educação e que nos vão roubando o tempo útil e de qualidade para a preparação das actividades lectivas.

Enfim.

Pois, talvez seja exactamente por isso que ontem (e em outras ocasiões, reconheça-se) os ânimos estavam exaltados e cansados, mais quando já estávamos sentados há quase 3h...

Foi assim: Quando a psicóloga se dispunha a expor e dar a conhecer o seu relatório circunstanciado do acompanhamento de um aluno em particular, considerou oportuno contextualizar longamente o seu trabalho e métodos a partir de uma descrição algo minuciosa, com imensos acessórios dispensáveis, mas que, olhando ao seu entusiasmo e gosto na descrição, pois fomos todos sendo embalados e nem dávamos pelo tempo que corria...

Mas alguém deu e não se deixou entusiasmar nem um pouco. E reagiu de forma inusual e desproporcionalmente violenta.

Interrompeu a colega abruptamente, sem se deixar comover pelo tom ameno do discurso e, como quem concluí uma conversa que já devia ir adiantada no seu interior, disparou - gesticulando:

"-Mas afinal o que é que isso interessa? Tem alguma coisa para nos dizer de CONCRETO sobre este aluno, ou outros??!!"

Todos nós retivemos o ar e, surpreendidos pelo registo intempestivo, fitávamos uma e outra à espera do que se seguiria...

E sabem que mais?

A colega surpresa e visivelmente magoada encaixou em silêncio e, com olhos húmidos olhou-a fixamente, de seguida leu os relatórios que trazia.

E mais não disse. Pediu licença e saiu.

Nenhum de nós fez qualquer comentário adicional, não valia a pena.

A colega dissera muito com o seu silêncio e capacidade de controlo.

Fiquei algo chocada.

Eu meço cada palavra proferida, nunca na minha vida seria capaz de reagir assim, com uma total desconsideração pelo uso da palavra em público por alguém e, certamente, nunca em termos semelhantes. 

Fiquei ainda a pensar se algumas pessoas dão realmente pela existência dos outros...

Se permitem aos outros que eles sejam inteiros diante deles, se permitem que os outros usem da palavra ao seu modo, mesmo que lento, mesmo que tomando desvios que lhe parecem importantes para explicar o seu ponto de vista.

Cada um tem o seu tempo e ritmo próprios e, se é possível aprender a ser mais assertivo e objectivo, pois não é com lições destas que se vai lá...

Haveria muitas formas de fazer progredir a reunião e de "apressar" a colega psicóloga, ocorrem-me inúmeras, todas elas mais cordiais e, certamente, menos abrasivas para todos.



publicado por Marta M às 19:03
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Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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