Terça-feira, 07 de Dezembro de 2010

- Afinal  porque é que fazes meditação?

- Tento fazer, queres dizer?

A conversa começou assim, entre colegas.

Apesar de animada, estava com alguma dificuldade na construção da argumentação, porque convenhamos, a meditação (ou o yoga que também pratico) preferencialmente não se explica, não se coage a fazer, nem sequer se pode fomentar muito insistentemente junto de alguém - é algo que se explica (auto-explica), se percebe, se sente, fazendo...

E é  preciso querer experimentar e estar disponível para aprender e praticar. E ter abertura de espírito para começar esta caminhada. 

Lá procurei as palavras, as razões, os benefícios, a paz que entra e flui em nós, mas o olhar continuava pouco convencido e inquisitivo, perguntando por algo tangível...

Ao contrário de mim que,  passo a passo, procuro ter certezas e ouço as razões alheias, ia respondendo à "artilharia" e  reflectia, pelo menos os benefícios desta prática, na calma com que aguentei toda uma argumentação que pouco faltou para me taxar de ingénua...

Pois é exactamente essa aprendizagem, essa relativização e essa serenidade que nos trazem essas práticas: Aguentar e acomodar dentro de nós a alegria e a tristeza, a simpatia e a hostilidade e os momentos de confronto, como oportunidades de crescimento - nosso e dos outros.

Por isso fui à minha biblioteca ambulante (meu carro, como sabem..) buscar um livro inspirado e dispus-me a citá-lo e a emprestá-lo, mesmo que à partida, não houvesse interesse aparente em aprofundar conhecimentos ou perceber o meu testemunho, mas apenas, parece-me, em confrontar alguém ou reiterar algum tipo de preconceito sobre estas ou outras práticas semelhantes.

Foram estas as citações que escolhi (do psicólogo e investigador Jon Kabat-Zinn) como forma de fundamentar esta escolha que me tem ajudado tanto e cuja caminho ainda ando a desbravar:

"Praticar formalmente a meditação, encontrando algum tempo para ela todos os dias, não significa que não se será mais capaz de pensar, ou que não se pode andar de um lado para o outro ou fazer as coisas que há para fazer. Significa que se será mais capaz de saber o que está a fazer porque parou por um bocadinho e observou, ouviu, percebeu"

Significa, portanto, que estou "presente" na minha vida, pelo menos presente em pleno, durante alguns minutos por dia.

Significa que ao parar, ao fazer silêncio dentro de mim, ao deixar que minha mente se ocupe apenas de respirar estar consciente desse exercício, tudo aquilo que o dia acumula e recalca dentro de mim e que me condiciona e quase me "automatiza" na resposta, pode ser interrompido e, talvez, me permita pensar sem pressões, sem querer controlar, permitindo que cada momento seja apenas o que é e, com sorte, chegar aqui, como  refere o autor:

"Depois quando estiver preparado, consciente,

mova-se na direcção que o seu coração lhe disser para ir"

E  acertar, e ter mais calma na escolha, digo eu!

Comigo tem resultado e apurado a minha intuição.

Bem falta me faz ;)



publicado por Marta M às 20:30
Olá Marta
Adorei o conceito de meditação que escolheste, escrito pelo Zinn.
Felizmente já penso um pouco como ele e a minha prática meditativa já não implica estar parada a inspirar e a respirar. Medito quando me concentro apenas numa coisa e largo toda a amálgama de pensamentos que me entulham o cérebro.
Tento ficar vazia do dispensável e curiosamente as respostas, a abertura de caminhos, as pessoas certas, vão aparecendo com mais fluidez e no momento certo. A intuição fica mais apurada e o peso que por vezes sentimos esvai-se, sentindo a nossa alma mais leve.
Tenho aprendido que afinal cada um pode escolher o método meditativo que se coadune melhor com a sua maneira de ser, tanto pode ser pela respiração, ou contando as pulsações de 1 até 10 e de dez até 1, ou ainda contando bagos de arroz. Importa acima de tudo que cada um se centre e esvazie a mente, despejando o lixo para que haja espaço para coisas novas.
E o que de novo te quero desejar , depois de toda esta prosa, é um óptimo fim de semana

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 10 de Dezembro de 2010 às 23:09

Amiga:
Deixei-te para o fim porque o meu tempo tem sido impossível de escasso e porque sei que me compreendes.
Já me conheces, não é?
É que , tendo em conta que foste tu que me falaste tanta na meditação (lembras o vídeo que me enviaste? Usei-o imensas vezes no início) e no bem que esta prática me fez e faz, tenho que ouvir-te mais do que devo falar...
Sei que a dominas e que essa tua clarividência que reconheço vem também daí. E por isso fico em sentido ao falar contigo neste campo que, nitidamente, dominas ;)
Tenho andado a ler-te e a "sentir" o teu estado de ânimo e estou atenta, apesar deste silêncio que só resulta de apenas ter duas mãos e ..uma cabeça!
Mas ando por aqui :)
Abraço e obrigada pelas tuas "achegas"e pela querida visita
Marta M
Marta M a 15 de Dezembro de 2010 às 23:36

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Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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