Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

 Existem blogs que acompanho religiosamente e são muitos, como referi há dias, e todos me enriquecem como pessoa e todos me acrescentam.

Não prescindiria de nenhum.

O da Laurinda Alves, escritora e jornalista que leio há muitos anos e que já tive o privilégio de conhecer e conversar em mais do que uma ocasião, é uma das opiniões que mais respeito neste país e nunca, mas nunca, me desilude ou mostra a mais pequena incoerência entre o que escreve e defende, quer quando fala em público quer quando milita civicamente.

E fá-lo sempre que considera oportuno e, devo acrescentar, com uma análise muito pessoal, impressiva, sensível e sempre construtiva, nunca hesitando porém em tomar posição, expor-se e defender racionalmente o seu ponto de vista.

Dito isto, vem este post a propósito deste seu comentário (aqui) a uma entrevista que, acredito, muitos neste país viram com o coração nas mãos.

E fiz o seguinte comentário, polémico, mas é o que sinto e gostaria de o partilhar também aqui, com a minha tribo:

"Ontem, apesar de estar muito atarefada, fiz uma desmarcação profissional importante, porque queria muito ouvir e "ver" este jovem. E escutei com muita atenção tudo o que ouvi de ambos interlocutores, mas especialmente, confesso, o que disse o entrevistado.

A jornalista, amiga pessoal de alguns dos condenados ( nesta fase, já não arguidos) não tinha tarefa fácil. Mesmo não subscrevendo na totalidade o registo e o tom, reconheço-o também.

A a situação daquele jovem era pesada e surpreendi-me com o seu registo sereno e contido, macio até.

Senti a mágoa que já se poderia prever, mas que assim exposta, emociona e cria uma empatia que, também eu, não pude nem quero, contornar.

Percebi, finalmente, a razão pela qual o seu testemunho foi tão valorizado neste processo. A forma firme e assertiva convence e cria uma sensação de veracidade em quem o escuta, e torna mais difícil pôr em causa o seu depoimento.

Concordo que algumas questões oportunas ficaram por colocar e que outras eram absolutamente desnecessárias - caso da questão das fraldas...Nada acrescentou à entrevista esta referência tão concreta, bastava ao invés referir as sequelas inevitáveis dos abusos continuados sem precisar de o expor daquela forma.

Agora usando palavras duras, acrescentaria ainda não "detestar", mas sim "odiar" a Mentira e a forma como nós, calejados e desgastados por ela, mesmo tecnicamente convencidos pela conclusão do julgamento, mesmo que o nosso coração tenda para o acolhimento e compreensão da situação deste e outros jovens assim, violentamente roubados na sua dignidade e futuro -por causa dela, continuamos cá dentro, desconfiados e tristes, a murmurar:

- Mas e se..?!

Já vi negarem a verdade demasiadas vezes...

E com a cara lavada, pelo menos à primeira impressão...

Gostaria de poder ter todas as certezas."



publicado por Marta M às 16:25
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Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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