Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Assim está céu do meu país...

E o coração dos portugueses.

 

Nuvens negras, densas e aparentemente perenes teimam, suspensas, por cima de nós...

E há não ventos de optimismo coerente que as dissipem.

Escuto as notícias, ouço os responsáveis (e aspirantes a responsáveis) pela condução dos destinos do nosso país e das nossas vidas e nada me parece confiável.

Pior, tudo me parece precário, artificial e incapaz de propor alternativas consistentes ou de futuro para todos.

O elo mais fraco, o nosso estimado Estado Social, sempre na berlinda e constantemente ameaçado por vozes autorizadas (?).

Nós, reféns provisórios deste pensamento único que nos cerca, a tentar perceber o que nos aconteceu.

As estruturas sociais que nos são caras e permitem a coesão social estão mesmo em processo de morte anunciada?

O Estado Social não tem futuro?

Custa-me a ceder a esse coro.

E resiliente, desacredito e faço ouvir a minha voz noutro sentido:

No sentido do pensamento das alternativas e do compromisso que permitam manter o essencial e gerir os recursos com maior eficácia.

E melhor administração, outra diferente com estes ou outros protagonistas, mas a partir de outro paradigma.

Do que corta primeiro na despesa e no que é excessivo. E há imensos excessos por onde começar...

Todos conhecemos (sem demagogia, claro!) inúmeros exemplos concretos que não passam por despedir ou desamparar ninguém.

A redistribuição justa da riqueza produzida, e a boa gestão dos recursos disponíveis é um factor de desenvolvimento sustentável para qualquer país, todos o sabemos. 

Inserir balões de oxigénio para manter à tona um modelo que frequentemente entra em crise? Sim, enquanto não surgem melhores modelos, mas com critérios mais apertados.

Se não, não é esta a solução de futuro que precisamos.

Diminuir os apoios sociais,  cortar nos salários, taxar de impostos impossíveis os bens mais básicos do nosso cabaz de compras, é o mais simples e o mais fácil, porque a receita é imediata.

Mas também é imediata na pele de quem menos tem e pode. 

E não resolve o problema, só lhe aumenta o período de agonia, parece-me.

E também é imediata para as empresas que, ao venderem menos porque não há quem tenha dinheiro para comprar, reduzem ao máximo os custos e, principalmente, reduzem o pessoal e aumentam o desemprego, e menos dinheiro disponível existe para circular.

O ciclo é vicioso e penaliza a economia, pior, retira-lhe espaço de crescimento.

Como vamos então sair deste ciclo negativo mais tarde?

Como vamos recuperar?

A história mostra-nos que sempre se encontrou o caminho de volta e, as sociedades já se recuperaram de crises económicas semelhantes, e até de uma guerra devastadora, mas nem sempre o caminho foi linear.

É verdade que os tempos de crise são também os tempos das grandes oportunidades e das grandes rupturas...

Mas foi também nos tempos de desespero que campearam os oportunistas e os ditadores.

Hitler ganhou as eleições alemãs apesar dos seus discursos explosivos e xenófobos, quando prometeu emprego a 6 Milhões de alemães desempregados...E desesperados.

Como professora de História assusta-me constatar o quão pouco muda a natureza humana ao longo dos séculos perante as ameaças ao seu mínimo vital.

Estes tempos requerem a nossa vigília atenta.

Nunca a nossa alienação.

 

Nota: Aqui - http://www.ionline.pt/conteudo/84608-se-oe-nao-for-aprovado-fica-em-causa-nossa-independencia



publicado por Marta M às 20:57
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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