Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

" Sabe que idade tem o meu filho? 8 meses! Esse exame não pode estar certo! - insistia eu, convicta.

- Já lhe disse, não deve haver erro, mas posso lhe fazer outro, se quiser...

- Ai vai fazer vai e é já agora."

Quando desci as  escadas íngremes do laboratório (na altura ainda sem elevador) já não o fiz com o meu habitual passo apressado, agarrei-me ao corrimão com firmeza e assentando cada pé...

Já não estava sozinha e já cuidava do teu bem estar, ainda que só soubesse da tua existência há 10 m.

Pois, foi assim que soube que vinhas a caminho querida filha.

É claro que conheces a história e sabes que fui imediatamente a uma papelaria da Baixa comprar um postalzinho de boas vindas para ti - já o leste inúmeras vezes, não é? - e, a partir desse momento, preparei a tua chegada.

Lembras de te contar que fui comprar uma roupinha nova para o teu irmão para quando ele te fosse ver à maternidade e guardei-a durante 7 meses? Ele estava tão lindo com o seu fatinho azul - ainda que, cá entre nós, sabemos que não te recebeu lá muito bem ;)

Que posso dizer de ti e do tanto que preencheste e preenches (às vezes, reconheça-se, por preocupação) a minha vida?

Que, com o teu irmão, és tudo para mim? Que daria a minha vida, sem hesitar, por ti?

Isso a maior parte dos filhos deste mundo (espero!) já sabem.

O que faz de ti alguém especial para mim, foram todos aqueles sorrisos abertos que inúmeras vezes me foste brindado ao longo de anos, todos aqueles dias em que te ia buscar à hora do almoço ao colégio e corrias para mim como se não me visses há anos, todos aqueles dias em que eu engolia lágrimas e tu esticavas o bracinho e apertavas o meu ombro no carro, ou de todas as vezes que me defendeste e dizias " Não falas assim com a Mata!"...

Ou daquela vez que, por termos discutido antes, entraste no comboio para um passeio com amigos e não conseguíamos parar de chorar olhando uma para a outra da janela, mesmo sabendo que já estarias comigo amanhã...

E que dizer de todos os bilhetinhos e prendinhas que, buscando objectos pela casa, embrulhavas para me oferecer? E das migalhinhas dos bolinhos que te davam na escola e qque trazias no bolso da bata para mim?

E o dia que, com o teu sorriso luminoso, "iluminaste" aquela repartição do registo civil, fazendo sorrir o funcionário tão mal encarado, mas que não resistiu à forma entusiasmada, orgulhosa e genuinamente feliz como te dispunhas a ser medida para o teu primeiro BI.

Esse dia ficou na história ;)

Poderia estar aqui todo o dia lembrando todos e cada um dos bons momentos que proporcionaste ou de como, contigo, experimentei um amor,um companheirismo e uma identificação incondicional e pura daquelas que só conhecia dos livros...

E que  pacificou a minha alma sedenta e me deu a estabilidade que me permite hoje voar e deixar-te voar em paz

Sempre senti que foste feliz na tua infância e que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para que nada te faltasse, principalmente o que permitiria fazer de ti esse ser humano íntegro e em paz com a vida que acredito te estas a  tornar.

Parabéns querida filha e que Deus te abençoe e ilumine o teu caminho.

 

 

 



publicado por Marta M às 12:54
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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