Domingo, 03 de Fevereiro de 2013
 
Hoje fui assistir a este filme e, como sempre me acontece, venho inspirada e de certa forma responsabilizada por tudo o que este filme nos/me recorda...
Recorda-nos (recorda-me) o tanto que alguns lutaram e deram de si em determinado momento da nossa história comum, para que hoje pudéssemos viver como vivemos -em liberdade e dignidade.
E, se usarmos a nossa boa consciência, ao nos confrontarmos com estes exemplos, passamos a não poder ignorar a herança humanaque corre nas nossas veias, americanos, portugueses....Ou humanos, tão simplesmente.
Somos feitos também dessa massa que é capaz de lutar e fazer cumprir a justiça e a igualdade. Ela continua no nosso ADN, mesmo que nos pareça adormecida cá dentro, debaixo de tudo o que lhe pusemos por cima...
Como já disse por aqui, sou grata a todos os que me antecederam e que, por poderosos sacrifícios e renúncias pessoais, colocaram o bem de todos à frente do seu, permitindo com esse gesto alargar os horizontes de toda a humanidade.
E é exactamente isto que faz falta a este país actualmente: Pessoas (políticos?) com visão e consciência.
Serão essa uma comjugação impossível? Acredito que não...
Continuo a acreditar que os políticos são, também, o resultado da nossa educação e exigência e, como não tomaram o poder por assalto, resultam directamente das nossas escolhas. Ou do nosso silêncio e conivência.
 
É essa  herança e essa responsabilidade que correm nas nossas veias e é por isso que, a minha medida e nas minhas condições,
procuro retribuir e continuar a ajudar à aparentemente interminável edificação de um mundo com lugar para todos.
Continuo a acreditar que "Melhor é possível" - L.Alves
 

 



publicado por Marta M às 20:13
Quarta-feira, 01 de Agosto de 2012

Sentada, com a senha na mão, aguardo.

O número é alto, a sala é ampla, abafada, e está repleta.

E ninguém brinca, ou atrevo-me: sequer sorri.

Como eu, centenas vêm fazer hoje a sua inscrição neste Centro de Emprego.

Todos acusam na expressão a dificuldade e o peso da circunstância.

Mesmo tendo por mais ou menos certo que o meu caso não é dos que têm piores perspectivas (Setembro corre novo concurso), pois partilho com estas pessoas o estigma da sala e da condição...

Olhando em volta, livro pousado, medito.

Inacreditavelmente, ocorrem-me que, talvez ainda ninguém ali se deu conta que, afinal, até temos alguma sorte.

Sorte?! Sim, sorte.

Sorte por vivermos neste país, apesar de tudo, civilizado e, à falta de outras qualidades, solidário.

Sorte de que, antes de mim (de nós), muitos terem tido a coragem de ter lutado, de não terem desistido mesmo quando pareceu difícil (impossível?).

E agradeci a todos eles.

Especialmente a todos os que há anos ajudaram a fundar e a construir o nosso Estado Social. E depois, a todos aqueles que, a custos que a nossa passividade actual parece não entender, e incluíram a tortura e a prisão, lutaram, às vezes muito sós, pela melhoria e segurança das nossas condições de trabalho.

Por eles tenho férias, direitos, alguma segurança laboral e subsídio de desemprego que não me deixa desamparada em momentos como este.

E exactamente por reconhecer o valor desta herança que tento estar à altura da passagem do testemunho - E Luto.

E não desisto: protesto, escrevo, faço greves e manifestações, participo de forma construtiva na vida do meu país.

"É pouco", dirão alguns, "eles é que mandam" - dirão outros...

A todos respondo que só consigo fazer a minha parte e espero o mesmo de todos.

Estes senhores que nos governam não tomaram o poder, foram eleitos e, portanto, colocados a governar por nós.

E a situação é sempre, sempre, a prazo.

O certo é que não me derrotaram, e sei a responsabilidade que está sobre a minha geração: Lutar para o legado que fica não seja muito inferior ao que recebi.

É possível. Países com menos recursos o fazem todos os dias e conseguem, com alguns ajustes, viver com alguma qualidade.

As gerações futuras contam connosco, tal como nós contámos com a anterior.

Não fujo às minhas responsabilidades.

 

Este é o nosso turno.

 



publicado por Marta M às 18:18
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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