Domingo, 08 de Maio de 2011

Esta semana foi intensa de trabalho na escola, tivemos uma série de actividades a cuja logística foi preciso dar resposta técnica, o que significou que na 6ªf,  por exemplo, montámos e desmontámos um palco por duas vezes, tentando perceber se o tempo ia ser nosso cúmplice e podíamos realizar a nossa actividade no pátio da escola. Não foi, como se sabe.

Por isso, todo o trabalho de montar e desmontar palco, cadeiras, colunas, decorações, barraquinhas de comida e de outras temáticas, foi extremamente físico, exigente e demorado. E nessa empresa morosa de repetir gestos e carregamentos, mãos ocupadas, o pensamento ficou livre.

E quando passamos uns pelos outros pela 20ª vez, pois concentramo-nos na tarefa que nos cabe e a mente voa...E eu a aproveitar para arrumar ideias...E indagações.

Por isso, entre idas e vindas, fui recordando e dando sentido a estas palavras sábias, lidas no dia anterior, do livro do kabat Zinn que me acompanha,  que me ajuda a pensar e que hoje partilho aqui com muito gosto:

"O espírito de indagação é fundamental para viver em consciencialização. Indagar não só uma maneira de resolver problemas.

É um forma de se certificar que permanece em contacto com o mistério básico da vida em si e da nossa presença aqui.

Quem sou eu? Para onde vou? O que é que significa SER? Qual é o meu papel no planeta?

Indagar não quer dizer procurar as respostas, especialmente rápidas que surgem do pensamento superficial. Significa perguntar sem esperar respostas, apenas ponderar a pergunta, transportando a dúvida consigo, deixando-a infiltrar-se, borbulhar, cozinhar, amadurecer, entrar e sair da consciência(...).

Indagar significa fazer perguntas incessantemente.

Será que temos coragem de olhar para algo, seja o que for, e perguntar: o que é isto? O que é que se está a passar?

Implica olhar profundamente durante um período contínuo,perguntar, perguntar.

Quais são as ligações? Qual seria a solução mais feliz?

Indagar não é tanto pensar em respostas, embora as perguntas produzam muitos pensamentos que se parecem com respostas.

Aquilo que implica realmente é apenas ouvir o pensamento que a pergunta invoca, como se estivesse sentado ao lado de uma corrente dos seus próprios pensamentos, a ouvir a água correr por cima e em volta das pedras, a ouvir, a ouvir e a observar uma folha ocasional ou um ramo que esteja a ser levado."

Engraçado como a meditação também pode ocorrer entre tarefas mecânicas, ou  partir de uma focagem mais centrada em qualquer actividade (como me lembrou a minha amiga Manu há algum tempo)...

Basta que estejamos um pouco mais silenciosos e concentrados e deixemos a mente viajar, permitindo que os pensamentos se apresentem a nós...

Sem os tentar controlar.

É um exercício muito interessante e pacificador....

E a tarefa, repetitiva e desinteressante, ficou muito mais leve e rápida.

:)



publicado por Marta M às 19:20
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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