Quinta-feira, 01 de Dezembro de 2011

Andamos às voltas com um problema muito delicado na escola. Involuntariamente, eu que normalmente nunca estou "metida" nesse tipo de questões que me passam literalmente ao lado, por efeito de contágio e por estar em serviço substituição do colega em causa, pois tenho feito parte do "processo" -chamemos-lhe assim...

A questão é complexa e abstenho-me de a explicar por ser muito específica e particular da nossa escola (entre direcção, pais e professores) e, portanto, vou apenas cingir-me a algo que me incomodou pessoalmente.

Este ano sou directora de turma e, por inerência do cargo, mais visível e conhecida na escola - quer pelos professores quer pelos encarregados de educação.

Provavelmente por isso e porque o "problema" fervilha todas as semanas, alguém pensou que eu, novata na escola e arrastada para a contenda, precisaria de aconselhamento prático e deveria marcar posição e assumir um dos lados.

Assim, uma colega que provavelmente adora o som da própria voz, aproximou-se de mim  e, malgrado o meu ar surpreso, começou a dizer o que pensava da situação e de como, segundo ela, eu deveria proceder. Literalmente.

E deu-me dezenas de conselhos que eu nunca pedi...

E falou, falou... e eu a olhar e a pensar para os meus botões quanto tempo mais  iria ela falar apesar de eu lhe reponder pouco mais do que:

 - "Pois, sabe, é complicado..."

No fim, tudo dito, ainda me colocou a mão no braço e concluiu: "Depois, dizes-me o que ele te disse e correndo bem, agradeces-me." - Sorriu e, dever cumprido, sem perguntar o que eu pensava do que fora dito, seguiu satisfeita o seu caminho.

Fiquei ali a pensar, não tanto no que fora dito, porque me pareceu tudo intriguista, desnecessário e nada na minha linha...Mas principalmente no facto de que algumas pessoas estão tão centradas em si próprias, tão satisfeitas consigo mesmas e com as suas verdades absolutas que, nem se dão conta que, quem têm à frente, não está minimamente em sintonia com elas. E pior, nem sequer se detêm um minuto a estudar o impacto e interesse que a as suas palavras  está a suscitar...Subestimam o outro em toda a linha.

Escutei-a com a  paciência e cortesia que me é habitual e porque percebi que ela precisava mesmo de se fazer ouvir..E a sala estava quentinha e era intervalo... :)

Fiz a minha parte. Sabia que, depois, seguiria o meu caminho com a mesma postura de sempre. Deixei-a então falar e fazer o seu.

Há pessoas que não querem ouvir ninguém e menos ainda trocar ideias. Por isso as contendas se perpetuam.

E é por isso que tanta gente apenas discursa e fala sozinha... Mesmo com pessoas à frente.

Um microfone bastar-lhes-ia.


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publicado por Marta M às 16:18
Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

 

Hoje quando terminei a pilha de testes que devo entregar a amanhã aos meus alunos, dediquei uns curtos minutos à meditação, e não consegui apaziguar a minha mente, nem aceder à minha habitual paz interior...Mais uma vez.

E  tanta falta me tem feito nos últimos dias em que o cansaço físico se veio acumular com a tristeza de perceber (ter de admitir?) que os anos passam, os contextos se alteram, as pessoas envelhecem, vivenciam experiências dolorosas e transforamdoras e, ainda assim, persistem nos mesmos padrões e erros...

Surpresa? Na verdade não...

Triste? Imensamente.

Imensamente, porque percebo que agora o passo é meu e, quer goste, me revolte, ou não, tenho que o assumir.

E desistir.

Sim, desistir de tentar fazer compreender, de mostrar e repetir razões e argumentos...

De apelar a que, se pelo menos não se entende, que se respeite porque se trata de uma escolha que só a mim cabe.

E à qual tenho absoluto direito a gerir como entendo. Logo eu, que sempre respeitei as opções de todos, concordasse (e não concordei) ou não.

E se ainda a formula que querem impor fosse recomendável ou tivesse dados bons resultados...Pois ainda se entendia.

Agora, tendo comprovado que não trouxe proximidade, intimidade ou bem -estar a ninguém..Pois, torna-se mesmo muito difícil perceber a insistência na prescrição...

E na imposição do modelo.

Mais quando repetido um apelo, se persiste, se responde mal, se diz que não ouviu (ou não quis ouvir...) e por cima se vitimizam...

E "embrulham" todos numa confusão desnecessária...

E que se repete, ciclicamente, o mesmo...

Pois, a culpa já é de quem pede e se expõe à não-colaboração mais que anunciada.

Provavelmente é por fraqueza que o não fazem. Porque não se controlam ou entendem que não merecemos o esforço.

Ou não entendem o que se pede, ou não sabem, nem querem aprender a viver de outra maneira.

Em todos os casos a culpa é minha, que insisto.

E não posso mais fazê-lo sob pena de parecer ingénua ou tola- irrelevante...Até.

Aceito que esta é uma situação que não controlo, que não posso alterar e que criar um conflito não vai trazer nenhum benefício, nem evitar que se repita.

Só posso salvaguardar-me, colocar-me inevitavelmente à defesa, e tentar aceitar esta inevitável desilusão de não chegar à harmonia - que eu sempre acreditei, com esforço mútuo, ser possível.

É um exercício pessoal e interior que nos pede um reforço do nosso amor por alguém, porque é precisamente nesses momentos exigentes que  ele faz mais sentido ou mostra  o tamanho da sua força. 

São as limitações da nossa vida em comum e, também, da nossa condição humana.

De todos.

Nem tudo está na nossa mão.

 



publicado por Marta M às 18:50
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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