Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009

 

"Quero falar-te dos meus sentimentos " de Mamoru Itoh

  Penso poder afirmar com alguma segurança que este sentimento (fraqueza?)  é quase universal, em um momento ou outro, todos nós tentámos (tentamos?) compensar algum tipo de frustração com compras das mais diversas qualidades.

Podem ser sapatos, roupas, objectos decorativos, outro corte de cabelo ou até um folhado altamente calórico...

Penso que ninguém negará que, em algum momento, já comprou coisas por impulso que depois se revelam de difícil utilidade e  justificação...

É um clássico, acredito.

Conheço bem a velha máxima de quem não consegue entrar num supermercado ou Centro Comercial, sem comprar nada.

Eu, que não escapo à regra, sou um caso semelhante...com livros.

Adoro livrarias, perco-me nelas e adoro o ar que lá se respira.

Aquelas estantes cheias de livros bem alinhados, cada um guardando  uma mensagem diferente, onde diversos autores  abrem  janelas para as suas almas é algo que me fascina, quer pelo mistério que representa cada livro quer pela abertura de perspectivas e de aprendizagem que me trazem.

Cada livro é um mundo e são todos diferentes, como as pessoas com quem nos vamos cruzando. Depois é só escolher, como  quando queremos conversar a sério e com substância com alguém, ou simplesmente descontrair, e sabemos intuitivamente com quem fazê-lo. Com livros é o mesmo.

Persiste sempre o mesmo dilema - qual escolho? Qual levo para casa hoje? E os outros que já levei e, empilhados por toda a casa, aguardam que lhes dedique a atenção que merecem?

Sim, o dilema de escolher um livro (e acrescentá-lo à família) é sempre grande e desafiante, mas o certo é que, por muito ou pouco que demore a escolha, raramente saio da livraria sem um.

Já não sei o que hei de fazer. Consolo-me, justificando que existem vícios piores...Ainda que este não seja dos mais baratos, eu sei.

Esta semana, quando a minha filha me pediu que passasse na Bertrand à procura um livro técnico, já sabia que, para além de me "perder" por lá não vinha para casa sem trazer outro para mim...

Porque este mês os gastos aumentam, procurei alternativas mais "light" por assim dizer, e na prateleira das promoções, lá estava ele - 7,00€ - simpático e desafiante a olhar para mim.

Já esta cá em casa e já foi lido e relido.

"Quero falar-te dos meus sentimentos" de Mamoru Itoh- 2009, é um livro pequenino sobre "escutar" verdadeiramente os outros. E nesse exercício, importar-se realmente.

Mais do que a disponibilidade para escutar, o essencial é fazer sentir o outro que "quero ouvir-te falar dos teus sentimentos".

A partir de desenhos com um  traçado muito simples de um bonequinho que atira uma bola a outro(s), o autor vai reflectindo em cada jogada e  prende-nos dizendo coisas sérias e profundas com palavras muito simples.

Como estas:

 

"Se está verdadeiramente a ouvir;

e se está preparado para compreender, será fácil para a outra pessoa falar.

Mesmo que a bola seja difícil de apanhar, ou tenha sido atirada debilmente,

se fizer o seu melhor para a apanhar...

Consegue."

 

Pois consegue, digo eu  ;)

 

 

 

 



publicado por Marta M às 22:18
Amiga Marta,

É realmente incrivel esta sintonia entre blogs. Não imaginas como este teu post, no que toca ao excerto que colocas-te, está bem presente em mim neste momento.
E tão complicado que é explicar que, na amizade a reciprocidade é essencial sendo que, haver interesse e dizer "quero ouvir-te falar dos teus sentimentos" é por si confortante.
Estou um pouco saturada de egocentrismos e só exigencias, enquanto que, o que importa é "sugar" e não ir repondo. penso que entendes o que quero dizer. E desculpa o desabafo mas, é de facto dificil...

Ps. Amanha vou comprar esse livro. Obrigada e depois digo-te ;)
Caminhando... a 4 de Dezembro de 2009 às 23:12

Joana:
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Joana: <BR class=incorrect name="incorrect" <a>AInda</A> bem que esta sintonia que vou sentido entre clicks é partilhada por outros amigos da rede. Às vezes ligo o computador e, na "sala" de amigos vou encontrando textos que parecem escritos para mim. É muito reconfortante, mesmo. <BR>Por isso compreendo o teu sentimento e compreendo melhor ainda essa sensação que descreves, tenho uma imagem mental de um "saco" que vai sendo sucessivamente esvaziado, de onde se tiram muitas "coisas" e, no fim, se desmorona por falta de conteúdo.... <BR>Encontrar alguém que nos escute genuinamente é algo tão, tão raro, como sermos depois nós, a fazer o mesmo com outros. <BR>Vamos pelo exemplo e, um bocadinho, pela exigência, que remédio! <BR>Mas devia ser tudo mais fluído, não é?
Bom Domingo para ti
Abraço ensolarado para te alegrar!
Marta M a 5 de Dezembro de 2009 às 22:31

Olá Marta

O que escreveste é tão real!
Quando leio certos post, sinto que é uma vozinha interior a falar para mim e de mim, por vezes são detalhes, que julgamos insignificantes, mas que nos alertam, que nos ajudam a reflectir... este foi um deles.
O cheiro dos livros, um certo ar de mistério que paira nas livrarias, como se cada um dos autores nos dissesse baixinho:-leva-me contigo" e a eterna luta que temos de travar para definir as nossas escolhas.
Depois há um que grita mais alto, que pede para ser lido e compreendido, contudo não são só os livros que falam...há por aí tanta gente que nos atira uma bola, como se de uma súplica se tratásse esperando algo de nós.
Aqui deixaste algo de ti que me deu um enorme prazer ler.
Tem um óptimo fim de semana.
Beijos
Manu
Existe um Olhar a 5 de Dezembro de 2009 às 01:46

Manu :
E não é tão reconfortante encontrar esta sintonia? Esse partilhar de sentimentos e, até angústias?
Faz-nos sentir menos sozinhos nas nossas dúvidas e nas nossas certezas, sublinhe-se, também ;)
É sinal de que a humanidade partilha muito mais do que uma casa comum e há sentimentos que nos unem, mesmo sem os comunicarmos continuamente.
Como se partilhássemos um sentimento primordial comum...
Olhando à volta, numa livraria, não sentes que há pessoas à tua volta que parecem todas partilhar um segredo?
Os que lêem livros, são cada vez mais uma "tribo" neste mundo virtual e digital. Sinto isso.
As bolas que nos atiram são tantas, algumas estão ansiosas, outras carentes e outas até voam com força e agressividade em nossa direcção!
Devolvê-las todas bem é ambição que espero um dia dominar na perfeição.
Por enquanto sou apenas aprendiz e tenho dias...
Obrigada pela tua visita e comentários sempre tão interpelantes.
Abraço de Bom Domingo para ti
Marta M a 5 de Dezembro de 2009 às 22:44

Tenho o mesmo vício, partilho do mesmo gosto.
O excerto é maravilhoso!
Obrigada pela dica, vou procurar o livro :)
Bjns
cuidandodemim a 5 de Dezembro de 2009 às 02:09

Olá!
E é um vício que nos deixa melhores pessoas, não é?
O ideal era teres mais tempo parao alimentar, não é?
Vais gostar muitodo livro, sensível como és.
Bom trabalho,
Sei, disseste no blog, que este fim de semana estas de serviço.
Marta M a 6 de Dezembro de 2009 às 16:12

Sim para as duas perguntas :)
Obrigada, boa semana!
cuidandodemim a 8 de Dezembro de 2009 às 22:24

Falar... e ser ouvido.
Ouvir... e ser falado.

Aquele pequeno excerto... é mágico. Quantas vezes não pensamos estar a ouvir, a prestar atenção... e afinal estamos só à espera que a outra parte se cale, para nós intervirmos de novo?

Cruel.
E com consequências.

Um bom fim de semana para ti.
Rolando
entremares a 5 de Dezembro de 2009 às 17:41

Rolando.
Sim é isso. Às vezes quem nos escuta (?) apenas espera que tomemos fôlego para falar... e o que "responde" (?) não reflecte o que dissemos, nem de leve. É só alguém que quer ser ouvido também...
Ganharíamos todos em escutar verdadeiramente, talvez alguém que sinta escutado, escute também depois.
Talvez...
Ou não.
Todos o fazemos uma ou outra vez. A questão é estarmos mais atentos e semearmos o que pretendemos colher.
Ganhávamos todos. Acho.
Bom Domingo
Marta M a 6 de Dezembro de 2009 às 16:20

Marta
Se todos os vícios fossem como o teu acho que viveríamos bem melhor. Os livros também são os meus grandes companheiros. Não lhes chamaria vício porque eles são mesmo os meus grandes amigos e só tenho pena de não lhes poder dedicar o tempo de que precisam. Ainda hoje comprei dois que estou a ver que tão cedo não vão ter a minha atenção. E agora não posso deixar de comprar este que nos sugeres... Um fim de semana com tempo para uma boa leitura é que te desejo minha amiga
descobrirafelicidade a 5 de Dezembro de 2009 às 18:57

Teresa:
Já vi que tens o mesmo vício, tinha que ser!
E claro, também acumulas livros em velocidade desproporcional ao da leitura, não é?
Não é barato, pois não? Mas vale cada cêntimo.
Foi um tempo de leitura e reflexão - nem sempre pelas melhores razões fazemos um cura de silêncio...Mas este fim de semana li mais do que falei e estive então com os meus queridos amigos ;)
Valha-nos isso.
Boa semana para ti. Começo agora a minha maratona de testes...
Marta M a 6 de Dezembro de 2009 às 23:06

Sim, que bom ter alguém que quer ouvir-me falar dos m/sentimentos. E que bom que eu não me esqueça de ser delicada a ponto de não exagerar... a ponto de contar com uma extrema benevolência dos outros. Devo saber quando parar, não é verdade?
O outro estará preparado para me compreender... mas quando serei capaz de dizer " e tu como estés?" "o que achas em relação a isto?" o que sentes?"
Zilda Cardoso a 5 de Dezembro de 2009 às 19:55

Saber parar e saber quando quem nos ouve já entendeu o que "sabia ou podia" entender é algo que, a não ser pela cortesia, fica difícil dosear...Queremos sempre ser escutados e considerados, não é?
Vamos aprendendo e ficando mais apaziguados,e mais saciados, quando encontramos quem o faça genuinamente...Penso que ajuda a não abusar...
Boa semana para si.
Marta M a 6 de Dezembro de 2009 às 23:10

Boa noite Marta, retribuir uma visita é sinal de boa educação, mas eu vim e gostei por isso comento.
Aforma como fala de livros é idêntica á de um pobre quando vê um manjar... admiro essa fome de conhecimento...fiquei entusiasmada e curiosa com vontade de ler esse livro, o titulo é sugestivo, penso que não vou resistir á tentação.
GOSTEI DO SEU BLOG
BOM FIM DE SEMANA
Rosinda a 5 de Dezembro de 2009 às 20:04

Olá MR!
Seja muito bem vinda a esta tribo ;)
Agradeço a sua visita e recordo-lhe que gostei do seu blog e dos seus versos, como lhe disse.
Quanto a gostar de aprender e de ler muito, é algo que está colado a mim como uma segunda pele...
Por isso falo tanto nisso.
Penso até que ler (e já o fiz de forma compulsiva) me salvou de sentimentos e atitudes menos positivas e talvez até de depressões...
Volte sempre e pode crer que também irei visitá-la.
Boa semana
Marta M a 6 de Dezembro de 2009 às 23:16

Existirá maior designio que o sentimento humano? não! A universalidade de tudo o que não se conhece é aquilo que se descobre ao longo da nossa efêmera e curta vida.
Os vícios é a nossa longa caminhada em aprender simplesmente a viver.
Alfredo Quintas a 7 de Dezembro de 2009 às 15:37

Olá
Seja bem-vindo a esta tribo e permaneça se se sentir bem...
Aqui todos são bem vindos, principalmente aqueles que escrevem palavras que nos humanizam, como as que encontrei neste comentário e no seu blog e que prometo visitar.
Boa semana para si.
Marta M
Marta M a 8 de Dezembro de 2009 às 21:04

divulga e visita por favor

http://modamodaoriginal.blogs.sapo.pt/
modamodaoriginal a 7 de Dezembro de 2009 às 15:39

Seja bem vinda, também.
Ja visitei o seu blog.
Boa semana
Marta M
Marta M a 8 de Dezembro de 2009 às 21:05

Quero falar-te dos meus sentimentos e...não tenho tempo!
Não te vejo há tanto tempo e...tenho saudades!
Mas faz tempo, que tenho este sentimento...gosto de ti!
Beijinho
Tininha a 8 de Dezembro de 2009 às 17:04

Tininha:
Minha amiga da vida!
É tão bom para mim receber-te aqui hoje. ;)
Imaginas a falta que me fazias por aqui? Tu que me conheces tão bem e és "testemunha" de toda a minha vida tinhas que aparecer nesta minha sala.
Mesmo sabendo que tempo é algo que não tens...
Falar, falar muito e de tudo é algo vamos ter que fazer um dia destes. Tem que ser
A questão será calarmo-nos depois...
Também gosto muito de ti e isso tenho a certeza que já sabes!
Beijinhos enormes.
Marta M a 8 de Dezembro de 2009 às 21:28

Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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