Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

 

 

" Porque ninguém me escuta?" (1943)

As palavras são de Anne Frank, escritas entre os 13 e os 15 anos no seu Diário entre 1942 e a 1945, do seu esconderijo no anexo clandestino de um armazém comercial, em plena 2ª Guerra Mundial.

O seu diário, editado em livro,  é um testemunho intemporal que reúne as cartas que esta jovem judia foi confiando ao seu diário,  dirigidas a uma amiga imaginária a que chamava "Kitty".

"Querida Kitty:", assim começam todas elas. As cartas iniciais retratam uma adolescente típica, ainda que especialmente estudiosa e cumpridora. 

Toda a sua sua vida se transforma no dia em que, fugindo às perseguições Nazis, Anne e a sua família tem que recolher à clandestinidade, num  anexo, em Amesterdão. Permaneceram nesse esconderijo exíguo, sem sol, com mais 8 ocupantes, durante mais de dois anos.Foi esse, como se sabe, o infeliz destino de centenas de Judeus para fugirem às deportações e  aos campos de concentração nazis.

O  diário iniciado em liberdade,  vai crescendo na proporção dos difíceis tempos que lhe tocou viver e o acelerar do seu amadurecimento é evidente no seu último ano de escrita. O seu espírito analítico e crítico vai-se apurando e, em vesperas do seu esconderijo ser desmascarado e invadido pela gestapo, é uma Anne madura, realista e surpreendentemente introspectiva que escreve a última carta que se lhe conhece.

Anne morreu em Março de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, dois meses antes da libertação da Holanda.

Li este livro, oferecido pela minha mãe, com muita emoção no ano de 1977  (assim consta debaixo de uma assinatura infantil que me fez sorrir...). Lembro-me da ansiedade com que, no fim das aulas o procurava, quer pelas afinidades que sentia com aquela jovem adolescente , quer pelo sentimento profundo de revolta que sentia ao ir incorporando a noção do seu sofrimento e da profunda injustiça que sofrera...

Recordei-a esta semana pela divulgação de imagens inéditas desta Anne, minha amiga, cujo rosto só se conhecia fotograficamente. O vídeo foi divulgado pela  Fundação Anne Frank e foi notícia nos jornais e televisões de todo o mundo.

Para mim foi emocionante observá-la assim "viva" e vibrante - em movimento - na janela da sua casa, num dia de festa. Conhecer visualmente este quotidiano de Anne, apenas alguns meses antes de que o mundo lhe caísse em cima, humanizou-a ainda mais para mim.

E resgatou-a, ajudando a corporizar a sua energia vibrante, a sua alma confiante e  esperançosa  que se percebia,  mesmo nas piores circunstâncias, na sua escrita.

Reconheço-a nestas imagens, ou melhor, reconheço o seu espírito inquieto e empreendedor.

Agradeço de forma penhorada a quem casualmente a filmou nesse dia e hoje permite vê-la assim, finalmente, em liberdade...



publicado por Marta M às 15:31
Marta
O diário de Anne Frank foi o livro de cabeçeira de grande parte da minha infância e início da adolescência. Dos 6 aos 13 anos vivi em S. Tomé. Nessa altura, não havia lá televisão e eu ocupava a maior parte dos meus dias a ler. Sempre gostei de diários e este marcou-me profundamente. Identificava-me com aquela adolescente que acabou por se tornar uma amiga companheira das horas solitárias. Obrigada por a teres lembrado
descobrirafelicidade a 13 de Outubro de 2009 às 19:54

Teresa.
Ao ler-te aqui e em outras fontes, mesmo antes de conhecer o teu percurso por outros continentes, sempre me pareceu que tinhas " horizontes" de quem viveu abaixo de Equador...
Foi uma intuição que, vejo hoje, foi certeira.
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Teresa. <BR>Ao ler-te aqui e em outras fontes, mesmo antes de conhecer o teu percurso por outros continentes, sempre me pareceu que tinhas " horizontes" de quem viveu abaixo de Equador... <BR>Foi uma intuição que, vejo hoje, foi certeira. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Anne</A> Frank ajudou tantas de nós a crescer por dentro e fez-nos companhia de qualidade, concordo. <BR>Obrigada pela tua visita.
Marta M a 14 de Outubro de 2009 às 21:33

Olá Marta
Estive há poucos anos atrás em Amesterdão e um dos locais que visitei foi a casa de Anne Frank.
Á medida que ia subindo as escadas iam sendo projectadas na parede imagens do que foi a sua vida. Cada porta, cada janela, cada alçapão eram descritas de tal forma que parecia que tínhamos recuado no tempo...a sofrer, a chorar, a fugir, como ela estivesse ali.
Foi emocionante, não consegui reter as lágrimas.
Existe um Olhar a 13 de Outubro de 2009 às 21:57

Manu:
Fiz uma visita virtual (apenas isso, com pena!) e percebo-te muito bem.
Entrar nessa casa, mil vezes imaginada por mim, por nós, há de ter sido uma experiência que marca.
Um dia espero fazê-la.
Obrigada pela partilha.
Abraço
Marta M a 14 de Outubro de 2009 às 21:36

Olá Marta!
Esta é sem dúvida um episodio marcante, recheado de dor e, surpreendentemente de força e esperança por parte de uma menina muito sofrida mas muito especial.

Um abraço grande e obrigada por me teres recordado novamente deste episodio.
Caminhando... a 14 de Outubro de 2009 às 12:33

Joana:
Tens razão...
Espantosamente, era "apenas" uma "menina"...
Dói pensar nisto apesar de todo o tempo passado.
Quantas Annes ainda andarão por aí?
Marta M a 14 de Outubro de 2009 às 21:39

Marta,
Bonita a tua escrita, escorreita como eu gosto.
Também eu me emocionei. A Anne Franck fez parte da nossa vida, da nossa infância. Sofríamos com ela e identificávamo-nos nesse mesmo sofrimento como numa união desabrida. Era fantástico...
Obrigada por me teres feito recuar um par de anos.
Abraço.
Nucha
Nucha a 14 de Outubro de 2009 às 18:10

Nucha :
Obrigada pela tua gentileza em relação à minha escrita. Procuro ser directa e clara - é uma característica que gosto e cultivo - e penso que escrevo ao ritmo do que vou sentindo...Ao ritmo da minha respiração..
Às vezes sai mais ou menos, outras nem tanto. Mas sou eu, inteira, que lá procuro estar.
Sabes que é tão reconfortante perceber que desta minha "tribo" todas leram Anne Frank e sentiram o mesmo que eu?
É tão bom estar em tão boa companhia!
Marta M a 14 de Outubro de 2009 às 22:22

Olá, Marta!
Para ser verdadeiro, confesso que nunca me interessei sobre esta nobre Mulher, Ane Frank. Porquê? Porque nasci em plena 2ª Guerra Mundial, e a nossa familia, a par de muitas outras, passou dificuldades de grande monta.
O lema era positivarmos o presente sem maselas de um passado recente. As atrocidades da 2ª Guerra foram diluidas com as da guerra Colonial. Uma e outra passadas, apareceram pessoas que desejaram perpetuar em imagens e escritos, tais atrocidades. Confesso que a ambas as recordações disse, veementemente: Não, obrigado!
Dia muitissimo feliz!
Marcolino
Marcolino a 15 de Outubro de 2009 às 10:15

Marcolino:
Percebo o seu ponto de vista...Mais, compreendo-o no contexto descrito.
Mas como professora de história, reconheço nestes testemunhos a oportunidade de lembrar às gerações presentes e vindouras que as atrocidades aconteceram de facto e que, se não estivermos vigilantes, podem ocorrer novamente.
Reconheço também que as lições da história são essenciais já que a natureza humana tem mudado tão pouco...
Abraço e percebo que já se encontra recuperado e activo.
Muito bom domingo para si
Marta M
Marta M a 17 de Outubro de 2009 às 22:56

Retribuo a visita e acedi ao convite.
Gostei de ver seu blog.
Pena que não consigo adicionar-me como seu "Amigo". Esquisitices antigas do nosso "Sapo" luso :)))
Sucesso, felicidades, disponha se achar útil e cumprimentos do,

Jaime Gabão
Jaime a 16 de Outubro de 2009 às 18:41

Olá!
Simpático tê-lo por aqui. Agradeço a visita e as palavras gentis.
Apareça sempre ;)
Bom Domingo
Marta M a 17 de Outubro de 2009 às 22:50

Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
Lugares que Também visito ;)
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