Domingo, 06 de Setembro de 2009

 

 

O que é isso?
O conceito formal diz-nos que “sensibilidade” é a faculdade de experimentar sensações físicas ou a faculdade de sentir ou experimentar prazer e dor, sensações e sentimentos.
Pessoalmente e apropriando-me do conceito, acreditei durante algum tempo que ter sensibilidade era a capacidade de vibrar de forma mais intensa, comigo e com os outros, em situações mais ou menos frequentes. Poderia ser a capacidade de emocionar-se com um filme, uma pessoa, um poema, uma citação ou um livro e depois aprender com eles incorporando-os na minha prática relacional, tornando-a mais “sensível”e rica… Acreditava também que era a capacidade de ler a realidade sob um ponto de vista mais humano e solidário, inusual até…
Posteriormente comecei a ouvir todos a afirmarem-se como “sensíveis” e, por isso, tantas vezes magoados nessa sensibilidade. Ao mesmo tempo reparava que esses mesmos “sensíveis” pouco se ocupavam do sentir dos outros ou das suas necessidades. Foi estranho escutar as ditas “pessoas sensíveis” falarem das suas carências afectivas e observar como o “eu, eu/preciso, preciso/não tenho/falta-me” era recorrente nas conversas e perceber que raramente existia um olhar de reconhecimento das “sensibilidades” dos outros. Nem mesmo para os mais próximos.
Há aqui incoerência evidente, ou é impressão minha?
Explico melhor: Com a experiência da vida pude perceber que tudo e todos se consideram sensíveis e se queixam da pouca atenção e do pouco amor que recebem, mas quase nunca tentam semear o que pretendem colher… Usando uma imagem concreta, é como aquela história do marido que se queixa da mulher, emocionalmente”moribunda”, esquecendo-se que foi ele que a matou com tanta insensibilidade...Ironias.
Por isso, para mim  ser sensível e ter “sensibilidade apurada”, é principalmente ser coerente com essa característica. Em tudo. Ou seja, ter um sentir apurado para me relacionar comigo, com os outros ou com o mundo. Ter sensibilidade não é apenas uma forma apurada de cuidar dos meus interesses, chorar num filme ou sentir-me magoada…
Ou ser apenas sensível com uma ou duas pessoas eleitas por nós? Os outros não merecem?
Ou esquecemos a nossa sensibilidade qaundo nos convém?
Parece, portanto, pelo que fica dito  deste conceito algo intangível,  consegui explicar com mais claridade - o que ele não é.
Pois, costuma ser assim.
Concluindo: Se não tenho sensibilidade para “sentir a existência da sensibilidade do outro então não sou, de facto, sensível.
 Ou posso ser sensível negligenciando os outros?
Fica a questão.
 
NOTA: Este foi o meu texto destinado ao Desafio em Cadeia 2nd round :) 
 Aqui no blog da minha amiga Kathy: http://docerefugio.blogs.sapo.pt/
 


publicado por Marta M às 13:18
Olá Marta
Li e reli o que escreveste e subscrevo inteiramente.
Penso que as pessoas confundem sentimentos com sensibilidade.
Eu só concebo a sensibilidade quando implica o outro, rir porque alguém sorri, chorar, quando o outro chora, emocionar-me com a tristeza do que está fora de mim, apoiar, amparar, socorrer no instante em que precisam de mim...isso sim é ser sensível.
As minhas dores, contentamentos, lágrimas, são apenas estados de alma que de modo nenhum definem o meu grau de sensibilidade.
Eu sei que és sensível quando venho aqui e leio o que escreves, a tua preocupação com o mundo e com as atrocidades que se vão cometendo. Não estou errada pois não?
Que os nossos corações continuem a ter essa enorme capacidade de vibrar com as alegrias e tristezas.
Beijos
Manu
Existe um Olhar a 6 de Setembro de 2009 às 16:24

Manu:
Gosto de te ver aqui!
Penso que percebeste a minha ideia e, pelo menos, o que eu não entendo ser a sensibilidade.
Se sou sensível? Penso que se nota...Tens razão.
E procuro ser coerente com essa qualidade e fazer o que está ao meu alcance para que o mundo se torne um lugar "mais sensível"
Abraço que amanhã é dia de milésima reunião ;)
Marta M a 6 de Setembro de 2009 às 22:41

Excelente blog, Marta!
aef a 6 de Setembro de 2009 às 20:24

Seja bem vinda Angola!
Muito obrigada pela visita e parabéns pelo blog tão intenso e ilustrado.
Marta M
Marta M a 6 de Setembro de 2009 às 22:43

Curiosa sensibilidade a sua e blog interessante e variado.
Helena Sá a 7 de Setembro de 2009 às 11:00

Obrigada pelo comentário simpático e pela visita.
Este é um espaço aberto!
;)
Marta M a 7 de Setembro de 2009 às 21:07


"Se não tenho sensibilidade para “sentir” a existência da sensibilidade do outro então não sou, de facto, sensível."
Nada mais existe que eu possa acrescentar. Obrigada mais uma vez.
descobrirafelicidade a 7 de Setembro de 2009 às 13:28

Olá amiga!
Eu é que agradeço a tua atenção e amizade...Acho que já somos amigas, não?

Abraço grande
Nota:Hoje não me alongo que o dia foi compriiiiiiiiiidooooo ;)
Marta M a 7 de Setembro de 2009 às 21:11

Bom dia.
Ser sensível é também OUVIR!!!!!!
Boa!!
È isso mesmo!!
Paulina arqueóloga a 8 de Setembro de 2009 às 11:56

Olá!
Seja bem vinda.
E ouvir é o que mais faço daqui do "meu lugar"
;)
Marta M a 8 de Setembro de 2009 às 22:30

E Parabéns pela notoria sensibilidade presente neste teu texto!
Muito bonito sem duvida!

Beijinhos :)
Caminhando... a 8 de Setembro de 2009 às 15:30

Olá!
Obrigada pela tua visita, pelo teu comentário e pela tua sensibilidade também!
Tenho pena de estar com pouco tempo quer para esta minha "sala",quer para visitar as "salas" dos amigos/as!
Tenho que encontrar o meu ritmo com este novo horário.
No entretanto é um gosto chegar aqui e encontrar tantas visitas.
Marta M a 8 de Setembro de 2009 às 22:34

Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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