Quinta-feira, 10 de Março de 2011

Isto faz sentido?

Tenho a cabeça num turbilhão. Só pode.

Se não, que outra razão levaria alguém a misturar no mesmo post Ghandi (citação do título), o Movimento "Geração à Rasca", os vencedores do Festival da Canção - "Os homens da Luta" e o discurso do Sr. Presidente da República?

Pois apenas uma enorme confusão interior ou...É sinal dos tempos que vivemos e que eles  aqui reunidos, estranhamente, começam a fazer sentido...

Se cada época e cada geração tem os seus trunfos, dificuldades e conjunturas específicas, esta época que nos é dada viver é provavelmente das mais exigentes dos últimos 30 anos e, atinge em cheio, os mais jovens..Algo para o qual nós, enquanto Estado e como  pais, não nos lembrámos de fortalecer ou ensinar aos que nos hão-de proceder socialmente.

O Estado, a escola e as famílias procuraram compensar as carências que haviam assolado o país nas décadas anteriores e assumimos como válido que proteger, acarinhar e facilitar a vida às novas gerações, evitaria os traumas e as descompensações emocionais com que nós nos havíamos confrontado e permitiria aos nossos filhos e jovens ir mais longe e ter uma vida com mais qualidade. E assim fomos batalhando para que nada lhes faltasse e, nesse processo, colocámos literalmente a mão por baixo dos nossos filhos e alunos, não permitindo que caíssem, ou sequer cambaleassem...

E assim, garantimos que tivessem muito mais do que realmente necessitavam em termos materiais e outros e, nesse nosso velar excessivo, provavelmente os fragilizámos  e não os deixámos adquirir as ferramentas que tanta faltam lhe fazem agora para enfrentar uma crise que não deixa ninguém de fora. E tornámo-los excessivamente consumistas e dependentes, para mal deles e nosso.

 Por isso hoje vejo com bons olhos que os mais jovens tenham colocado a mão na massa, que se agrupem e concertem acções cívicas para que a sua situação sem horizontes se coloque na agenda do dia de quem tem o poder de decidir sobre os seus destinos.

Se a situação se pode tornar explosiva e se o discurso do Presidente da República (com reconhecidas culpas no cartório) veio acicatar os ânimos? Sim, veio. Mas isso não é necessáriamente mau presságio...

Se a "cantiga é uma arma" como dizíamos no meu tempo, pois continua a ser uma forma de expressão com força própria e mesmo que a cantiga dos Deolinda seja mais uma arma algo lamuriante e a dos "Homens da Luta" seja algo brejeira, pois servem o propósito de desinstalar. E isso é muito.

Se a isso tudo, junto a frase poderosa e responsabilizante de Ghandi, pois está reunida um receita que pode ter futuro...

Pode.

Tudo somado,  com sorte e uma boa orientação, talvez aqui exista a possibilidade de iniciar uma mudança e uma crescente responsabilização de todos nas mudanças que se impõem ou, pelo menos, dar visibilidade a um espírito inconformado que nos cerca que parece atravessar (felizmente) a sociedade nacional e internacional e que, finalmente, começa a fazer eco no nosso território.

Diz-se que é preciso bater no fundo para depois se recomeçar a subir e introduzir rupturas. Pessoalmente, acho que já batemos.

No Sábado lá estarei com os meus filhos.

Veremos o que sai daqui.



publicado por Marta M às 18:53
Olá

Concordo contigo, excepto na parte das músicas, a canção dos Deolinda foi um acaso, eles nem tinham pensado no assunto, simplesmente escreveram mais uma música e por acaso escolheram aquela para apresentar no concurso, a do festival da canção faz parte da forma de um certo tipo de humor, acho que não tem nada a ver com contestação, terá muito a ver com provocação e com o desejo de dar nas vistas, nada que ver com abanar consciências.

Como dizia no meu post de ontem tenho pouca fé no sucesso das manifestações de Sábado, não porque não as ache justas, mas porque não vejo consciência cívica e/ou politica a esta geração.. espero estar enganado.

Jorge
Jorge Soares a 10 de Março de 2011 às 21:35

Olá Jorge:
Não sei se já lhe dei as boas vinda por aqui..
Mas se não o fiz,aqui fica:
Bem vindo a esta tribo - É um gosto :)
Quanto ao seu comentário, pois é de facto bom encontrar esta sintonia de pessoas que entendem que já nos basta de diagnóstico e que há que meter as mãos na massa...
A (s) cantiga(s), pois como referi tiveram ocondão de coloacar a discussão na rua, nos jornais, na televisão e como se sabe, o que os média pegam e exploram tem um enorme impacto e serve para "abanar" o panorâma.
Se, concebidas ao ao acaso, não sei. Mas ainda que tenham ultrapassado o âmbito para o qual foram pensadas, pela parte que me toca, fico-lhes eternamente grata pela ajuda que deram ao movimento.
Diz-se que em tempo de guerrra todas as ajudas são bem vindas.
Concordo ;)
Abraço e obrigada pelo contributo.
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 16:41

Olá Marta,
Pois eu, apartidária convicta, acredito nos jovens e na sua força. Eles, com a cebeça arejada, e com ideais definidos são a força que faz falta neste país de brandos costumes e de "boys" com assento prometido.
É pois, com muita esperança, que vejo estes sinais de luta.
Talvez ainda nem tudo esteja perdido e que haja, ainda, esperança para Portugal.
Beijinhos
a 10 de Março de 2011 às 23:35

Fá:
Também eu Fá, aposto nos jovens e na sua energia e cabeça frescas.
Os meus alunos continuam a ser sempre capazes de me surpreender e de mostrar-me ângulos que, sozinha, dificilmente daria por eles.
Também visto esta camisola, estou um bocadinho farta de diagnósticos e agora preciso ver as coisas mexerem...
Torço fortemente por eles ;)
Abraço e obrigada pela tua visita :)
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 17:09

Acho que estou numa má fase em relação a alguns tipos de crenças... e não gosto de desistir de acreditar. Mas...
Um beijinho Marta
e força!
Isabel
Isabel Maia Jácome a 10 de Março de 2011 às 23:44

...não resisto a especificar que devemos ter esperança nos jovens e exigir mais deles também... ou que aprendam a ser exigentes com eles próprios.
Mas os jovens são e podem ser bem melhores do que muitas vezes parecem.
Pronto. Tenho dito, Marta
Beijinho e mais uma vez,
Força!
Isabel
Isabel Maia Jácome a 10 de Março de 2011 às 23:47

Olá Isabel.
Entendo o desânimo. Entendo.
Também o sinto algumas vezes, mas depois percebo que se eu ( e outros como eu), optimistas de serviço, me deixo arrastar...
Quem lutará e tentará fazer alguma diferença ou, pelo menos, empurrará e exigirá dos outros?
Cada um no seu papel e todos juntos, pode ser que mudemos alguma coisa.
Os jovens? Sempre, o futuro é deles :)
Obrigada pelo teu contributo à discussão ;)
Abraço
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 19:25

Olá Marta! Na minha juventude fui contestatária, q.b, nunca gostei de injustiças e desigualdades, hoje sou simplesmente descrente. Já nem sei que diga, apenas que concordo bater mais no fundo que isto será difícil e vermo-nos a nós sem grande perspectiva e os nossos filhos sem muito futuro dói. Um beijinho e espero que corra bem e pelo menos sirva de alguma coisa, mas que ninguém sofra nenhum tipo de repressão, violência ou seja manipulado por altas patentes deste país que não fazem nada por ele, nem pelos jovens. Bjs
omeueudepapel a 11 de Março de 2011 às 01:16

Fátima.
Sim, o diagnóstico está mais que feito..
O desânimo instalado..
Mas Fátima, como se pode desistir?
Temos que continuar e lutar, como outras gerações antes de nós o fizeram em circunstâncias semelhantes, basta ver a história da humanidade.
Temos que lutar e exigir, se não por nós, por eles, nossos filhos e jovens em geral.
De outra forma, os oportunistas (como refere) tomam conta disto.
Sei que o meu contributo não é suficiente, mas é o possível.
espero que faça alguma diferença :)
Obrigada, também, pelo teu contributo.
Abraço e boa semana
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 19:33

Olá Marta.
Temos de lutar pelos nossos direitos. E feliz aquele que tem coragem para lutar, é sinal que não fica parado a ver as coisas acontecerem...
Bjns
cuidandodemim a 11 de Março de 2011 às 13:07

Sim Amiga.
ficar a olhar e lamentar-me se nada fazer para tentar alterar a situação é algo que me faria subir a tensão arterial e a precisar dos teus serviços :)
Contnuo na "Luta" que remédio :)
Abraço e boa semana
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 20:27

Ai Marta, como me arrependo de proteger tanto a minha filha.
Acabei por fazer com que fosse muito dependente.
Dava jeito ter tirado um curso sobre como educar um filho.
Isto se houvesse forma correcta de educar.
A grande maioria dos jovens são demasiado dependentes dos pais e não estou a falar das questões monetárias , mas sim em se desenvencilhar sozinhos.
Estava mesmo agora a falar com a minha filha sobre a manifestação de amanhã.
Dizia-lhe que ela deveria ir.
Quem sabe se não lhe vou fazer companhia...
Beijinhos
geriatriaaminhavida a 11 de Março de 2011 às 16:16

Amiga:
E achas que estás sozinha?
Erro teu, meu, diria de um país... :(
A de ser a vida a ensinar-lhes da pior forma pelo que vemos.
Sei que ontem estiveste na "Luta" e que deste um bom exemplo à tua filha, por isso, sempre vamos remediando, não é?
Boa semana para ti e para ela.
:)
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 20:29

Quando a cantiga da Deolinda começou a dar que falar, eu comentei cá em casa; Mais uma fantochada! E peço desculpa Marta, mas tenho que ser franca. Da outra do festival, nem vou falar, porque é simplesmente ridícula. Não sei se esta é a forma , se fôr, óptimo! Mas sinceramente...não será por aí.
Como diz, a mudança está nas nossas mãos e não é com cantorias, mas com muita vontade de trabalhar. E hoje tudo quer ser engenheiro ou doutor.
Um beijinho e bom fim de semana
Rosinda
Rosinda a 11 de Março de 2011 às 23:44

Rosinda.
Entendo perfeitamente a tua descrença, mais porque fazes parte daquele grupo dos anos 70/80 que os governos expropriaram, maltrataram e tiveram que recomeçar a vida.
Respeito e entendo que as desilusões e o conhecimento na pele das falsidades crie resistências..
Mas é a juventude amiga, é gente novo e é um novo tempo.
Apostemos nisto e mostremos que "melhor é possível"
Abraço e obrigada pela tua franqueza e transparência no contributo para esta discussão
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 20:42

Os números foram visiveis hoje, mas não creio nos resultados reais e práticos. Fico com a impressão de que tudo vai ficar na mesma.
Mas, uma tomada de consciência real do problema por parte de todos, já é um sinal positivo e que pode merecer a atenção de quem nos governa ou (des)governa.
Um forte abraço.
----
Já tentei 2 x mas não consigo enviar a mensagem, além de a perder. Erro meu? Tentarei de novo.
in-perfeita a 12 de Março de 2011 às 20:06

Amiga:
Tenho pensado em ti várias vezes ...e hoje com gosto leio o teu apoio e a tua vontade em marcar a diferença neste mundo que, às vezes, não é um local muito acolhedor.
Mas talvez exactamente por isso queremos mudá-lo e fazer parte dos que ajudam a empurrar e tentam consertá-lo.
Há muito caminho a fazer e para andar.
Acredito plenamente nisso.
Abraço grande grande
Marta M
Marta M a 13 de Março de 2011 às 21:45

Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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