Quinta-feira, 06 de Agosto de 2009

      "Quando copiares tipos de beleza, ser-te-á tão difícil encontrares o modelo perfeito, que terás que combinar os detalhes mais perfeitos de vários modelos e só assim alcançarás a beleza do conjunto

Xenofonte, 430 -355 a.C

 

Esta magnífica escultura saída da mão de génio de Alves dos Reis (1847-1889), reúne um grau de excelência e perfeição que, mesmo passados mais de dois mil anos sobre as instruções de Xenofonte aos artistas atenienses, consegue captar-lhe a essência...

E atinge-se, quanto a mim,  em Portugal a perfeição sonhada pelos clássicos numa época em que a nação, tal como agora, deprimia-se.

Reuniu, certamente,  a inspiração colhida em diferentes modelos, porque a perfeição, presume-se, é impossível ser encontrada num homem só. Só como comunidade a podemos "aspirar", lembrara I.Kant, no século anterior.

Esta manifestação romântica de inspiração clássica retrata plasticamente  sentimentos que fazem jus ao seu baptismo:" O Desterrado" (1872).

O jovem melancólico, de tronco torcido, sentado na rocha batida pelas ondas, invoca sentimentos ambíguos em quem a observa...

Tristeza? Reflexão? Saudade? Espera?

Cada um a sentirá como sua e verá que sentimentos lhe ocorrem...É sempre um exercício pessoal.

Nas duas vezes que a visitei, dando-lhe voltas para melhor a captar, juraria que pude observar o movimento das suas costelas numa discreta e ténue expiração...O mármore pareceu ganhar vida. Foi mágico.

Será esta perfeição estética idealizada pelos gregos e pelo seu antropocentrismo transformador? A arte assim expressa ajudaria à inspiração para a construção do novo homem - medida de todas as coisas e capaz de pensar um viver diferente?

Acho muito interessante como a  arte que imita a vida,  também a pretende transformar e é ao tempo veículo de coesão social e base de entendimento entre povos e gerações diferentes ou muito separadas no tempo.

É possível por fim conferir como a arte que  repete e renova este espírito de procura da estética perfeita ou da estética que melhor incorpore a sua época, a sua identidade ou a sua mensagem, ressurja ciclicamente tentando recolocar o ser humano no centro da sua linguagem transformadora.

Convenhamos, haverá temática mais fascinante?

 

 

Nota: Já que falamos em arte e porque penso passar por lá nos próximos dias deixo a sugestão: retratos do controverso fotógrafo Erwin Olaf que estão em exposição em Montemor-o-Novo. Refrescante e menos polémico que o habitual. Quem se interessar:

 

http://www.ionline.pt/conteudo/17069-em-que-quadro-e-que-eu-ja-vi-esta-fotografia

 

 

 

 



publicado por Marta M às 22:34
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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