Sábado, 31 de Julho de 2010

 

 

Inicio aqui um tema que retomarei algumas vezes sempre que me ocorrer, ou encontrar, uma boa ideia para mudar o mundo.

Sim, porque o mundo é o que FAZEMOS dele, não somos elementos passivos - ajudamos à sua construção.

Neste caso foram duas professoras da escola de Ocoee Middle School nos EUA que resolveram, na senda do sucesso internacional da música dos

Blak Eyed Pyes: " I gotta feeling",  trabalhar a letra no sentido de ela se anunciar como um convite à leitura e aos seus inegáveis benefícios.

Pedagogicamente irrepreensível, com uma letra cativante,  motivadora e jovem, os alunos da escola aderiram e levaram nesse dia um livro de casa (alguns terão estamos pela primeira vez na vida com um livro na mão, mais do 10m!).

Quem sabe alguns já olham para esse objecto "misterioso" com outro interesse?

Eu optimista militante e fervorosa defensora do poder transformador da leitura de bons livros, da educaçõ e do bom exemplo, subscrevo ;)

Ora ouçam ...

 

Nota: Concorri a esta iniciativa do Jornal "i", mais alguém tem boas ideias?

http://www.ionline.pt/conteudos/ideias_para_um_portugal_feliz.html

 



publicado por Marta M às 17:54
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

A Patrícia  foi minha aluna há dois anos, no 11º ano, e tem hoje 17 anos.

Descrevendo-a assim, parece uma jovem como tantas outras que passam pelas minha mãos em cada ano.

Mas não é.

E não é por muitas e diferentes razões: pela coragem, pelo espírito inquieto, empreendedor e particularmente auto-didacta que revela e pratica.

A Patrícia lê, aprende, escreve e fala sempre de forma sincera procurando melhorar-se e avançar na vida. E eu vejo isso.

A Patrícia não é de sorriso fácil (terá as suas razões) nem de muitos entusiasmos, na verdade tem uma postura e um olhar perscrutor, sedento de aprendizagem e uma atitude invariavelmente atenta.

A Patrícia é quase demasiado madura para a idade e carrega um peso enorme para a sua ainda curta vida...E tem razões para isso, a vida não lhe foi fácil,  pelo contrário tocou-lhe viver circunstâncias familiares  difíceis e que são mais um lastro do que uma boa base para iniciar a vida ...

Mas ela não desanimou, e da dificuldade vai sabendo fazer uma oportunidade e nas contrariedades encontra desafios que  vai superando...E consegue nesse exercício mostrar como alguém tão novo possui uma sabedoria que muitos não conseguem acumular apesar das múltiplas lições e oportunidades quer recebem na vida.

E ninguém  a ensinou a ser como é.

Neste mês, tal como havia combinado com as minhas alunas fui assistir à suas defesas de estágio e apresentações finais (Prova de Aptidão Pedagógica - PAP), à Patrícia especialmente prometera não faltar.

Lá estava ela ao fundo do corredor a  correr para mim com os braços estendidos e o sorriso aberto, mas nervoso. E estava mesmo intranquila e a sua pele não o negava, salpicada que estava de manchas vermelhas e coberta de suores frios.  Todas as professoras e amigas tentámos que se acalmasse. Em vão.

A responsabilidade era demasiado alta.

Tal como prometido mantive-me muito próxima e atenta e ela começou a falar...Apesar do tom hesitante, foi desenvolvendo a sua apresentação e a respirar ora fundo, ora ofegantemente, entre frase e slides...Até que a sua voz sumiu e o silêncio instalou-se.

Percebeu-se que a voz da Patrícia embargara, travara, e a sua cor mudara.

Em segundos caiu desamparada no chão de madeira e um tremendo susto toma conta de todos.

Por estar mais perto cheguei antes e virei-a de lado, a sua directora de turma em segundos estava ao nosso lado e abria janelas procurando que a Patrícia desse sinais de si.

Ela voltou, pálida e um pouco desorientada, mas com os seus grandes olhos abertos e, se bem a conheço, já procurar a forma de reverter aquela partida que o seu organismo lhe pregara. E nunca com pena de si mesma, porque a Patrícia tem um sentido de lutadora, não de vítima.

Algumas professoras e próprio júri propuseram que ela desse por terminada a apresentação, pelas circunstâncias e porque já demosntrara que dominava o tema.

Em silêncio procurei os seus olhos (em tempos de crise, e sendo desnecessário,gosto de observar mais e falar menos...) e percebendo a situação e o seu sentir, perguntei-lhe o que queria fazer, ela entendeu e respondeu:

- "Quero continuar, claro, setora, já sabe."

Claro que eu sabia, a Patrícia nunca se iria perdoar se desistisse a meio, fossem quais fossem as circunstâncias. Por isso nunca lhe propus terminar antes do tempo.

Ela leva qualquer desafio até ao fim e com dignidade.

Eu conheço a força daquela alma.

A apresentação ganhou ritmo lentamente para terminar com a sua voz forte e consistente e o seu sorriso de alívio e orgulho.

Todos os presentes na sala reconheceram  a sua atitude e a sua força, era impossível não o fazer.

Ainda bem que as novas gerações mostram esta força e esta determinação e nem todos estão acomodados.

Menos ainda os que têm mesmo que lutar a dobrar.

Deus abençoe e conserve essa força da Patrícia ;)

É um gosto ter sido tua professora e agora tua amiga.

Estou atenta.

 



publicado por Marta M às 16:21
Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Foi no ano de atribuição do Nobel que estive numa fila, quase duas horas ao sol, para falar com José Saramago e pedir-lhe que me autografasse este livro.

Foi na Casa da Cultura, espaço muito interessante da minha cidade.

Para mim não foi novidade, da mesma forma e depois de uma espera extensa em fim de dia, fui falando também (cumprimentei, aliás, Ramos Horta,  Dalai Lama entre outros) com personalidades que de alguma forma merecem a minha consideração.

Recordo agora os breves momentos passados com Saramago porque o merece indubitavelmente e porque foram especiais para mim.

Depois de duas horas em pé na rua e mais 40m numa fila com os livros na mão, chegou a minha vez...

Cansada, olhava-o fixamente, tentando gravar na memória aqueles momentos de verdadeiro privilégio...Ele, mecanicamente autografava um livro atrás do outro com um ar absolutamente esgotado que o seu rosto sério e circunspecto,  acentuava.

Eu que havia preparado um discurso muito rápido de agradecimento e pretendia falar-lhe sobre a minha admiração por ele e pelo seu percurso pessoal (e não falo apenas do Nobel) que o levara (neto e filho de iletrados) de  operário a escritor de renome e respeito mundiais, preparava-me mas... À minha frente surgiu um homem, com alguma idade, nitidamente cansado, muito educado e subtilmente impaciente.

De repente dei-me conta que aquele homem discreto e reflexivo, avesso a multidões, correra mundo nos últimos meses, dera dezenas de conferências e entrevistas e falara (arrisco) com milhares de pessoas que lhe haviam expressado o mesmo que me ensaiara para lhe dizer....

E ele pareceu-me mais idoso e mais cansado do que aparentava na televisão...

Sempre me ocorre improvisar em momentos desses, costumo encontrar as palavras certas para a situação e, num impulso de empatia, disparei:

"- Tem um ar bastante cansado, não há de ser fácil dar resposta a tanta solicitação e atenção, difícil não é?"

Ele parou de escrever e olhou-me com aqueles seus olhos pequenos e expressivos, através daqueles óculos que todos conhecem e que penso nunca alterou, e respondeu:

-" Se não fosse tão sincero, dir-lhe-ia que não, mas como sou tenho que admitir que sim, canso-me muito."

Eu que sinto sempre um renovar de energias quando  alguém me abre o coração e é genuíno, não resisti e continuei o diálogo que só deveria (por respeito à fila enorme atrás de mim...) durar alguns segundos:

"- O senhor é principalmente um bom exemplo!"

Foi nesse momento que ele pousou a caneta e segurou com as duas mãos a que lhe estendi.

Apeteceu-me ficar ali, buscar-lhe um café e conversar com ele sobre o seu percurso, sobre os dias e  horas que passara na biblioteca pública a ler tudo o que encontrava ao fim de um dia de trabalho duro na oficina de serralharia...

Pedindo-lhe que me contasse como ele "se"construíra como escritor e como pessoa...

Mas a fila atrás de mim impacientava-se e ele precisava concluir aquele compromisso e voltar para a sua ilha, para a sua paz  e reencontrar o ambiente que lhe permitia ser tão criativo e original.

Ele já nos dera tanto, merecia sossego.

Agradeci, despedi-me e retomei a minha vida.

Foi outro daqueles momentos que guardo no meu coração.

Agradeço à vida por ele.



publicado por Marta M às 00:44
Terça-feira, 06 de Julho de 2010
Proposta para os próximos meses: Comer, rezar e amar...
O filme só estreará entre nós em Setembro, mas a proposta é demasiado desafiadora para se deixar passar.
Confesssem lá se não lhes apetecia fazer exactamente isso durante algum tempo: Sem metas muito específicas, deixando a vida fuir e acompanhando esse ritmo sem o querer controlar...
A ver aonde a vida nos leva e se ela escolhe melhor que nós...
Na verdade é já um pouco isso que nos acontece, mas desta vez, só durante alguns meses e para o repouso merecido, aceitamos plenamente.
;)
Percebem?


publicado por Marta M às 23:44
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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