Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Aqui está ele: Novinho em folha e pronto a estrear...

 

 Tratado o  tema do Natal (sei que não a consenso de todos) mas na medida do que me foi possível...e honesto. Retomo o ao cumprimento dos rituais (?) e hoje venho falar do ano que se inicia e que, como sempre, vem cheio de possibilidades...

Olho para o calendário..Aqui está ele, novinho, à espera de ser desfolhado e...vivido.

Sendo um marco antropológico e cultural, a passagem de um ano para outro é comemorada em diferentes datas dependendo da cultura e do  local do planeta em que vivemos. Os chineses só o farão daqui a alguns meses, por exemplo. A nós, toca-nos agora.

No fundo, este ritual de passagem é algo que, à falta de melhor justificação, nos propomos e aceitamos como parte da nossa tradição. Renovar um ano, com doze meses completamente novos e ter esta sensação de estarmos a "recomeçar" é algo que ajuda e acrescenta esperança. Eu sei.

Sempre tive simpatia pela oportunidade de "recomeçar", de que sempre estamos em tempo de mudar ou corrigir o rumo.

Se o ano é novo, se existe um ritual de passagem que o sublinha e assinala, melhor.

E mais fácil.

Que desejo para este novo ano? Pouco. Sim pouco, porque há coisas e situações que não dependem de mim, sequer da minha vontade ou até, de tudo o que eu faça.

A vida/Universo/Deus hão de trazer-me alegrias e tristezas, acertos e erros - Só espero estar à altura de tudo e tanto que me for chegando. Quer valorizando a dimensão do Bom ou sobrevivendo com dignidade e acerto nas decisões ao menos bom...

Ambas situações me reconduzem à minha humanidade e, sei, me fazem crescer.

Já entendi isso.

Então se decisões de novo ano pouco resultam, que posso fazer de mais acertado neste final de calendário?

Balanços!

Se o ano foi bom? Foi e não foi...

Amigos partiram; ocorreram conversas improváveis e enriquecedoras; existiram discussões onde  foram ditas palavras boas e más; mesmo com o susto de ter tido que realizar uma biópisia incómoda, tive sempre saúde e os meus também.

Fui a Barcelona; o meu filho terminou o curso e começou a sua vida de trabalho com sucesso ;) ; a minha filha está mais aplicada e próxima ;) ; tive trabalho e sorte em tantos km de estrada; tive (mais uma vez) alunos que souberam reconhecer o meu esforço; tive colegas que se tornaram amigos; tenho novas e queridas amigas ;) que moram já, literalmente, no meu coração...

Tive, numa tarde cinzenta e fria da semana passada, as minha alunas do ano passado que, ao saberem por outra que me dirigia à escola para as visitar, sairam pelos portões da escola e subiram a Avenida que leva ao estacionamento, gritando o meu nome com os braços abertos..Quando chegaram a mim, já as lágrimas me corriam em fio ao tentar abraçar as 16 de uma só vez...; Tive o nosso conhecido C., que me disse:" Gosto mesmo de si stora..." (apesar de continuar algo complicado e sem estudar nada!).

Não valerão estes momentos, que levarei para sempre comigo, por tanto o que senti em falta no ano que passou? Não terei eu tido tudo o que precisava?

Se calhar tive. Se queria um pouco mais?

Queria, mas como já disse, provavelmente a Vida nunca corresponderá a tudo que eu quero, mas ao que eu preciso.

Todos os dias deste ano que finda, procurei, humildemente (e de forma serena) aceitar isso.

Fecho o ano ainda nessa aprendizagem...

;)

 

Nota: Ora aqui está uma boa teoria pela mão de Laurinda Alves, no Jornal i:

 



publicado por Marta M às 16:46
Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

 

 

 

 

Natal...

 

  O clique estridente que ficou do telefone que bateu, até soou a alívio depois de escutar tanto destempero. Ela ficou ali, com o auscultador  na mão, a respirar fundo, parada..

O Natal, como sempre o sonhara, há quatro anos que a desilude...Três casas a visitar, um pai e uma mãe que a partir da separação cobram e dividem cada minuto da visita, familiares  que controlam, cobram e despejam frustrações como acontece em todas as festas onde o vinho e a euforia não são medidos.. Um marido que, incapaz de contrariar o mau exemplo do pai, usa jogar cartas no café em dia de Natal...

E uns filhos  encantadores e ansiosos à espera do Pai Natal e a necessitar de ser protegidos.

Encaixa pequenas camisolas e gorros em malas e sacos e vai cruzando entre a mente e o coração, acontecimentos, expectativas, palavras ditas e ouvidas, decepções e desencontros...

Triste, contrariada, mesmo percebendo que o esforço não seria percebido nem valorizado por ninguém, tem  por certo apenas a certeza de que  está emocionalmente pouco disponível e os seus filhos, apesar do entusiasmo simulado... o "sentiriam".. .

Arruma, mais uma vez  dentro de si, o desalento para melhor  simular o festejo. Socialmente é  isso que dela se esperava, e ela sempre cumpre...

E todas pessoas e postais lhe tinham desejado Feliz Natal?
 Parecem-lhe inúteis. Feliz?

Tudo limpo e arrumado, filhos arranjados, malas e prendas no carro e, apesar de nenhuma vontade, inicia o caminho de 169 km.

Só deseja que já fosse dia 26...

 

Ou...

Pousa o auscultador com a mesma calma e...esvazia as malas, desce a arruma na garagem o saco das prendas compradas por " imposição" social à espera da...Páscoa?

Pega novamente no telefone e informa que enquanto não existir respeito pelo tempo e privacidade de cada um, enquanto o Natal for apenas um ritual anual de acerto de contas e despejar de frustrações e discussões, não pretende participar com a sua família.

Cansou.

Avisa em casa que os meninos merecem um Natal de verdade, em que palavras como família,  harmonia e bom exemplo são mais do que enunciados que se repetem, desejam e se trocam socialmente, são para  praticar.

Quebra o ciclo vicioso e decide celebrar o Natal que os seus filhos merecem.

E que faz sentido.

As compras são rápidas, alguma comida, alguns ingredientes para duas sobremesas (ninguém necessita para ser feliz de comer 10 variedades de carne e doces...) e a árvore, que iria ficar apagada durante os três dias de ausência, iluminada.

E com um presente para cada um.

Jantam na sala, depois lêem um conto, não um qualquer - o de Dickens: "Conto de uma Noite de Natal" 

Procura ainda ter tempo para falar daquele menino nascido há mais de 2000 anos, que mudara o mundo com a sua inteligência e bondade e que dá significado a esta quadra, fazendo-os perceber a substância desta festa de família, não de consumo ou rituais vazios...

Debaixo do edredão ainda haverá tempo para rirem muito, bem abraçadinhos, com o "Sozinho em casa" .  Mais uma vez  ;)

Adormecem na sala  todos juntos, aninhados e quentinhos e ela olha para eles e agradece àquele mesmo menino, tudo e tanto.

E todos guardam no coração este Natal.

 

Às vezes sabemos o caminho, mas, no final falta mesmo a decisão de o percorrer.

E o tempo não volta, nem a infância se recupera.

 

 

 



publicado por Marta M às 00:10
Domingo, 13 de Dezembro de 2009

 

Sou uma entusiasta de Obama, desde o dia em  escutei falar naquela sua forma serena e, mais ainda, quando tive a oportunidade ler os seus discursos e, mais posteriormente e que veio confirmar ainda  mais a minha empatia por ele, o seu livro "A Minha Herança". Escrito a partir de uma perspectiva absolutamente humana e franca, ao ponto de nos incomodarem algumas passagens em que fala abertamente da sua família ou do racismo que sentiu/sente e aceita com a serenidade de quem já "compreendeu" a inevitabilidade  de certa natureza humana.

O seu sorriso à "Mandela" revela essa mesma serenidade de quem já entendeu e até acolhe com compreensão as fraquezas humanas, não desanima com elas, nem perde o rumo...E isso, tendo em conta tudo e o tanto que já viveu é de uma resiliência enorme e...testada.

A sua política pela positiva, pelo diálogo acolhedor e pela inclusão, é absolutamente radical, desinstala e traz uma perspectiva alicerçada numa bagagem de vida (e origens) que lhe permite testemunhar desde baixo e com obra feita. Não é para qualquer um, convenhamos.

Sobre a polémica que se desatou a partir da atribuição do Nobel da Paz a alguém com base no seu potencial, balanceei entre a surpresa, o assentimento e a reprovação. Comparando-o com os outros galardoados (Mandela, Ramos Horta, Madre Teresa, Luther King...) ainda terá que "mostrar serviço", digamos assim. Mas isso não pareceu impedir o comité de atribuição do galardão, porquê?

Penso que já o compreendi. E hoje, tudo somado, dou o meu apoio sem reservas.

Explico melhor:  vivemos tempos estranhos, de colapso do sistema e mudança do paradigma em que nos habituámos funcionar, mas principalmente, vivemos um tempo de  descrença. Pior: de ausência de bons exemplos, de valores e pessoas que nos inspirem.

Por isso, não foi difícil concluir que Obama é o homem certo para estes tempos de crise instalada e sem resolução certeira e eficaz à vista. Estes tempos pedem que se olhem velhas realidades "com óculos novos" . Estes tempos pedem pessoas diferentes e dispostas a escutar, pesar e decidir com base em mais do que uma única perspectiva. Pessoas capazes de perceber tudo o que está em causa, ponderar, e decidir - porque, sim, há que fazê-lo goste-se ou não (o seu discurso de agradecimento, sendo um galardoado que é também um presidente em guerra, é algo que só ele conseguiu tornar possível, e quase aceitável)...

Estes tempo pedem que todos se empenhem e contribuam para  resolução e para a construção de um mundo novo, mais humano e dialogante.Já não é possível funcionar na forma em que o fizemos até agora...Vejam aonde isso nos levou.

Um exemplo destes, de alguém improvável (observemos as suas origens étnicas e percurso), que subiu a pulso, que é capaz de nos inspirar, nos desinstalar pela surpresa, pela essência da sua diplomacia, pelo registo e pelo exemplo, mostrando que, apesar do horizonte negro, é possível usar outros caminhos...É difícil de encontrar.

Alguém que nos dá uma esperança coerente e possível, em tempos de descrédito? Merece este prémio, e acredito que desde já.

E estamos seguros nesta atribuição, porque ele entende a responsabilidade (mais uma) que lhe caiu em cima.

Escutemos as suas palavras:

"Em todo o mundo há homens e mulheres que foram presos ou espancados enquanto procuravam justiça; há quem trabalhe sem descanso nas organizações humanitárias, para aliviar o sofrimento; e há milhões de anónimos cujos actos silenciosos de coragem e compaixão inspiram até ao mais cínico. Não posso discutir com quem diz que que estes homens e mulheres(...) são muito mais merecedores que eu desta honra" .

Sim, percebemos o peso e a responsabilidade, mas quem, senão ele, mais nos inspirou no último ano?

Quem, se não ele, nos mostrou que "melhor é possível" (L. Alves)?

Quem, se não ele, há de fazer tudo para ser, todos os dias que hão de vir, mais merecedor desta distinção?

 



publicado por Marta M às 20:20
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2009

Hoje, dia que já estava triste,  partiu uma amiga...

 

Nestes dias em que se fala tanto do nosso planeta, da nossa casa e de como preservá-lo, vi partir dele uma amiga ainda com tanto para viver, profundamente amada e absolutamente indispensável para a sua família. E fico sem muitas palavras para consolar aqueles filhos, a quem tantas vezes acalmei o choro no meu colo, quando em crianças ficavam ao meu cuidado...

Era tão fácil fazê-los voltar a sorrir nessa altura..

Mas hoje digo-lhes o quê?

Queria  poder voltar a  dar-lhes colo e dizer que já vai passar...

Mas sei que ainda vai doer muito e, pior, o mundo nem sequer vai parar...Ou abrandar pela dor deles.

Nem sequer um bocadinho, para eles poderem ficar em paz , o tempo que precisassem, a despedir da mãe.

Mas devia, porque há dias muito tristes, há dores muito supremas, e precisamos mesmo de um intervalo...

 

 

 



publicado por Marta M às 17:29
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009

 

"Quero falar-te dos meus sentimentos " de Mamoru Itoh

  Penso poder afirmar com alguma segurança que este sentimento (fraqueza?)  é quase universal, em um momento ou outro, todos nós tentámos (tentamos?) compensar algum tipo de frustração com compras das mais diversas qualidades.

Podem ser sapatos, roupas, objectos decorativos, outro corte de cabelo ou até um folhado altamente calórico...

Penso que ninguém negará que, em algum momento, já comprou coisas por impulso que depois se revelam de difícil utilidade e  justificação...

É um clássico, acredito.

Conheço bem a velha máxima de quem não consegue entrar num supermercado ou Centro Comercial, sem comprar nada.

Eu, que não escapo à regra, sou um caso semelhante...com livros.

Adoro livrarias, perco-me nelas e adoro o ar que lá se respira.

Aquelas estantes cheias de livros bem alinhados, cada um guardando  uma mensagem diferente, onde diversos autores  abrem  janelas para as suas almas é algo que me fascina, quer pelo mistério que representa cada livro quer pela abertura de perspectivas e de aprendizagem que me trazem.

Cada livro é um mundo e são todos diferentes, como as pessoas com quem nos vamos cruzando. Depois é só escolher, como  quando queremos conversar a sério e com substância com alguém, ou simplesmente descontrair, e sabemos intuitivamente com quem fazê-lo. Com livros é o mesmo.

Persiste sempre o mesmo dilema - qual escolho? Qual levo para casa hoje? E os outros que já levei e, empilhados por toda a casa, aguardam que lhes dedique a atenção que merecem?

Sim, o dilema de escolher um livro (e acrescentá-lo à família) é sempre grande e desafiante, mas o certo é que, por muito ou pouco que demore a escolha, raramente saio da livraria sem um.

Já não sei o que hei de fazer. Consolo-me, justificando que existem vícios piores...Ainda que este não seja dos mais baratos, eu sei.

Esta semana, quando a minha filha me pediu que passasse na Bertrand à procura um livro técnico, já sabia que, para além de me "perder" por lá não vinha para casa sem trazer outro para mim...

Porque este mês os gastos aumentam, procurei alternativas mais "light" por assim dizer, e na prateleira das promoções, lá estava ele - 7,00€ - simpático e desafiante a olhar para mim.

Já esta cá em casa e já foi lido e relido.

"Quero falar-te dos meus sentimentos" de Mamoru Itoh- 2009, é um livro pequenino sobre "escutar" verdadeiramente os outros. E nesse exercício, importar-se realmente.

Mais do que a disponibilidade para escutar, o essencial é fazer sentir o outro que "quero ouvir-te falar dos teus sentimentos".

A partir de desenhos com um  traçado muito simples de um bonequinho que atira uma bola a outro(s), o autor vai reflectindo em cada jogada e  prende-nos dizendo coisas sérias e profundas com palavras muito simples.

Como estas:

 

"Se está verdadeiramente a ouvir;

e se está preparado para compreender, será fácil para a outra pessoa falar.

Mesmo que a bola seja difícil de apanhar, ou tenha sido atirada debilmente,

se fizer o seu melhor para a apanhar...

Consegue."

 

Pois consegue, digo eu  ;)

 

 

 

 



publicado por Marta M às 22:18
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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