Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O Início e o fim de cada um meus dias acontecem, ocorrem, no meu velho carrinho.

 

De manhã, 7:10h, já estou a caminho.

Começo o dia com  energia, confiante que tudo vai correr melhor que ontem e que vou dar conta do recado,  ainda que pouco predisposta a falar antes do meu incontornável café.

Gosto de me levantar cedo, mesmo admitindo que, no inverno, o mundo frio escuro que observo da janela que abro, não  parece nada acolhedor. Apesar de tudo,  gosto mesmo do cheiro das manhãs e da frescura que tudo parece adquirir sob a luminosidade de um dia que começa.

Sinto o mesmo em dias acinzentados e chuvosos: cada dia é mesmo novo e vem cheio de possibilidades...

Até o  meu velho carrinho, cheio de livros, companheiro de km, reflexões e longas viagens na minha vida, cheira a fresco, como que preparado para um novo dia. Gosto de entrar, ligar a TSF, escutar as notíciase ajeitar-me no conforto que os bancos e o volante, já moldados por mim e pelo meu uso, parecem sempre  prontos a proporcionar-me.

Sei que não é bem assim, mas esta familiaridade e este "acolhimento" material, ajudam-me a que, no meu carro, me sinta segura e em casa ;)

No fim do dia, ainda que eu e o carro sejamos os mesmos, estamos mais cansados e cheios de pressas para voltar para casa. É estranho, mas o carro também me parece outro, o espaço que de manhã transbordava de energia, agora acolhe-me menos vibrante e, até a TSF me parece mais lenta, como que  a reduzir a velocidade...

Às vezes faço as viagens acompanhada, partilhando boleias com colegas, como é prática corrente. Mas a maioria das vezes, regresso sozinha.

É nessa altura que coloco os meus CDs e, agradecida pelo silêncio que me proporciona esta jornada solitária, somo e reflicto sobre o que o dia me trouxe.

É um espaço e um tempo só meus, onde posso cantar alto e desafinado, pensar muito e até chorar se precisar.

Às vezes também acontece.

 



publicado por Marta M às 21:58
Sábado, 21 de Novembro de 2009

 

 

Desespero e cansaço...

 Numa semana particularmente marcada por problemasde indisciplina na escola, em que o meu já conhecido aluno C., vai ser suspenso pela segunda vez em um mês, escutei falar deste filme e assustou-me a compreensão/empatia que senti em relação a esta professora (Isabelle Adjani)...

Acredito que muitos de nós já teremos estado à beira de perder a cabeça no dia-a-dia da nossa profissão. Mas à escola pede-se, às vezes, que resolva todos as lacunas da sociedade e das famílias...E nós, por mais que nos esforcemos, não conseguimos sozinhos.

Temos feito (professores, funcionários, psicóloga) um esforço enorme no sentido de contornar a perturbação causada nas aulas pelo C., e tentado encontrar estratégias que permitam "retê-lo" na escola, percebemos o desespero da sua mãe (agora que entretanto ficou viúva e o C. perdeu o pai...), percebemos que somos a última chance do C. e que, uma vez expulso da escola, o seu caminho será o da marginalidade...

Nós sabemos. Mas estamos a ficar sem alternativas e isso faz-me sentir uma impotência que não me deixa dormir bem...

Ainda não desisti dele, continuo a acreditar que estando ali nas minha aulas, tentando que aprenda algo e  inserido numa comunidade com exemplos positivos, retardo a sua "queda" , chamemos-lhe assim. Mas depois vejo como a minha energia é totalmente absorvida por ele e, os outros meninos não têm de mim, de nós, a atenção que merecem e estão a ficar muito aquém do seu potêncial.

No fim do dia percebemos que a escola não esta a exercer a sua principal função: instruir e socializar todos.

 Todos os 249 alunos da escola precisam de nós e do nosso empenho, não deixar "ninguém" para trás tem sido um equilíbrio difícil de conseguir.

Obrigada por me lerem, escrever ajuda-me a pensar.

 

Nota: 

Sinopse:  Este filme, francês, interpretado  por Isabelle Adjani, “O Dia da Saia” é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, que se descontrola emocionalmente devido ao stress causado pela indisciplina dos seus alunos. Numa aula descobre uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, em desespero, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta todos os problemas que afectam as escolas francesas, e infelizmente, também as portuguesas

 

 



publicado por Marta M às 13:39
Domingo, 15 de Novembro de 2009

 

O impacto das nossas acções

 

 Vejo imensas vezes amigos, família e tanta gente diferente tomar decisões,  de forma definitiva, tendo ponderado durante algum tempo  a decisão. E fico contente por isso, aceito-o (como não?), eu mesma costumo ser muito ponderada antes, mas uma vez escolhido o rumo, levo até ao fim  a decisão tomada.

A questão não é essa, a questão é que no afã de cuidarmos dos nossos legítimos interesses, às vezes esquecemos que estamos demasiado ligados uns aos outros e que fazemos parte de um todo: família, amigos, conhecidos...

A questão é que imprescindível e vital somar bem  todas as variantes em causa.

Esta ligação que nos une a quem nos estima, ama (amou?), nos conhece, nos cuidou, nos acompanhou ou  esteve lá para nós em diferentes momentos da vida, tem que pesar.

Tem que estar na equação.

E o que constato é que, às vezes, não está na medida em que merecia.

E merece estar e merece que façamos um enorme esforço por nos colocarmos no lugar dos outros e, nesse exercício tentemos "minimizar" o impacto.

Em tempos conturbados custa muito encontrar um rumo, sei-o demasiadamente bem, mas os sentimentos dos outros não podem ser totalmente subalternizados aos nossos. E porque nenhum "homem é uma ilha" e não vive sozinho, inúmeras vezes, as nossas decisões vão virar de pernas para o ar a vida dos que amamos e dos que nos merecem consideração.

Principalmente  porque não é possível prever todas as consequência, ou nalguns casos nem parte delas, há que ir com cuidado e delicadeza, mesmo quando temos pressa e mesmo quando já não aguentamos mais... Porque "os outros" estão lá e, às vezes, também tem tudo a ver com eles. Ou eles irão também pagar parte da "factura".

Nunca sabemos realmente o alcance final das nossas decisões.

De facto, controlamos muito pouco...

Nesta semana peculiar pude constatar como até a "crónica de uma morte anunciada" de um casamento teve o impacto de uma bomba atómica na família próxima, na alargada e até nos amigos próximos...quando foi confirmado o desenlace.

O choro, a tristeza e a desilusão de todos perante o fracasso de um projecto que no fundo também era de todos, que começou com uma festa linda e que já inclui uma criança muito amada que agora verá o seu mundo mudar , foi algo que entristeceu e desanimou a todos, de ambos os lados da questão...

Mesmo sabendo que, por mais cuidados que se tenha, em algum momento, inocentes poderão vir a pagar pelas decisões que legitimamente tomamos, há que ter então um cuidado acrescido no "como", no "quando" e na "forma" como o vamos fazer.

A ligação que temos uns com os outros não pode ser "usada" e "desligada" ao sabor das nossas conveniências...

Os outros também existem e acompanham as nossas alegrias e as nossas tristezas.

Os que nos amam/estimam sofrem connosco - É bom não o esquecer, também.



publicado por Marta M às 22:56
Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Fonte Imagem: photos/lamaquinaderetratar/2524132800/">www.flickr.com/photos/lamaquinaderetratar/2524132800/

A memória

 

 

A nossa capacidade para recordar algo resulta de um processo complexo, composto por três diferentes níveis que incluem o registo da informação, a sua armazenagem com diferentes associações que a integram e, por fim, o processo que as preserva para futuras evocações.

Tudo muito bem estudado e testado apesar de se reconhecer que esta é uma área que, muito provavelmente, ainda trará um enorme campo de trabalho à comunidade científica.

Entretanto e porque prevenir ainda é o melhor remédio, cabe-nos com base no que já se conhece, fazer algo pela preservação da nossa.

Como professora de História conheço a importância da preservação de uma boa memória quer pessoalmente, quer como povo ;)

O senso comum e a experiência de vida  já o demonstravam de forma mais que evidente, a memória e a capacidade de reter informação são maiores (e preservam-se mais) em pessoas que se dedicam a exercícios intelectuais frequentemente. A leitura diária ou as novas aquisições proporcionadas pela aprendizagem das regras de um novo jogo, novo passatempo, um diferente  caminho para o mesmo percurso ou a aprendizagem de uma nova língua para além das que já dominamos, concorrem para a formação de novas ligações neuronais e quantas mais tivermos mais podemos "perder" quando a idade começar a fazer os seus incontornáveis estragos...

Tratar da memória exercitando-a como um músculo é conselho de muitos médicos e cientistas de todo o mundo. A insuspeita BBC, na sua página sobre Saúde e Mente (Science & Nature: Human Body and Mind)  propõe-nos um jogo online que permite testar a nossa capacidade de retenção e memória ao mesmo tempo que o jogo é, em si mesmo, uma forma de exercício intelectual.  Aqui: www.bbc.co.uk/science/humanbody/sleep/tmt/

Por isso amigos, para que daqui a alguns anos possamos ainda andar por aqui a ler-nos e a lembrar quem é quem, há que cuidar da nossa querida a memória.

Contem depois aqui qual foi a vossa pontuação.

Sem batota, claro :))

Meu score: Reconhecimento: 90% e Memória temporal: 73%, respectivamente.

Na 6ªf passada, de certeza, como cansaço que tinha os resultados não eram estes! ;)

 

 

 



publicado por Marta M às 22:53
Quarta-feira, 04 de Novembro de 2009

 Tenho saudades:

 

Dos meus livros;

Do cheiro dos meus livros;

Dos livros que já li;

Dos que quero ler;

Dos  que quero voltar a ler;

Dos que preciso voltar a ler;

Dos que quero comprar;

De ter tempo para reflectir sobre o que li;

De beber o meu café com tempo e ler o jornal fresquinho da manhã;

De levar pelo braço os meus livros;

De abrir os mais antigos e ler os sublinhados ou as dobras que  fiz;

De estar com um e me lembrar de outro e ir à sua procura;

De ter vários espalhados no carro e ir buscar um num engarrafamento;

De esperar pelos meus filhos e ler meio capítulo de um dos livros que andam na pasta;

Dos livros que ia desencantar para ilustrar melhor uma ideia ou uma aula;

Dos livros que levava para mostrar aos meus alunos;

Do tempo em que não me esquecia (por cansaço e pressa) de os levar para uma aula;

De não conseguir adormecer sem os ler;

De ler muito e aprender mais em cada releitura;

De ter tempo para aprender e assim poder ensinar com uma alma mais criativa e mais larga;

De ter tempo para reflectir sobre a melhor orientação a dar a uma aula e de escolher o livro, a imagem ou a citação que ajudariam a captar a atenção e a motivação dos alunos.

De ser a professora que gosto e sei ser...

 Penso que me compreendem.

 

 

Nota nº 1: A quantidade de reuniões, actas, gráficos, fichas, relatórios individuais e de turma, planificações, planos curriculares e testes diagnósticos que nos soterram e roubam todo o tempo disponível e subvertem o conteúdo funcional da nossa profissão..Estão a matar o processo criativo que também é um aula..

Estão a fazer de nós autênticos tarefeiros sem luz.

As horas e os quilómetros diários tiram-me (a nós professores empenhados) a "alma" que precisamos ter cada manhã ao começar o dia com os nossos alunos.

Não são "papéis" ou máquinas que temos à nossa frente em cada aula...

São jovens em formação - É uma responsabilidade do tamanho do mundo, percebem?

 

 Nota nº 2: Ainda de ter tempo para ler com tempo e atenção, autores como Lévi-Strauss, recentemente desaparecido, que nos ajuda a "explicar" o Mundo aos nossos alunos.

Laurinda Alves fale dele hoje, aqui:

 www.ionline.pt/conteudo/31286-a-vocacao-das-ciencias-humanas

 

 

 



publicado por Marta M às 23:22
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
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