Quinta-feira, 07 de Janeiro de 2010

Post para ti amiga: 

 

      "No meio da vida, os adultos confrontam­‑se com uma multiplicidade de experiências que apelam a reestruturações relacionais e concorrem para esta tomada de consciência da finitude da vida. Desde logo, o declínio e morte dos pais, no momento em que o próprio corpo dá sinais de perda de juventude. Os pais que precisam ser cuidados são uma estranha versão de filhos (Oldham, 1989), mas a caminho da morte e não da vida. Ao tornarem­‑se “pais” dos seus próprios pais, os adultos de meia­‑idade experimentam a perda de suporte da geração anterior, ao mesmo tempo que devem adaptar­‑se à emancipação dos filhos que, mesmo quando não saem de casa, já não são os filhos da infância, mas competem pelo poder e influência na família, tal como a sua geração compete pelo poder na sociedade. Os adultos de meia­‑idade ainda são quem frequentemente detém a responsabilidade na família e na sociedade, a geração que comanda – mas que fundamentalmente faz a ponte entre a geração dos mais velhos e a geração dos mais novos. São a “geração sanduíche” (Zal, 1993), estão no meio, e creio que é este o significado mais forte de meia­‑idade e meio da vida.

Os anos da meia­‑idade são fundamentalmente caracterizados pela experiência psíquica interna de confronto com a morte (a morte de que a geração anterior se aproxima), e por um balanço e avaliação da vida vivida, aquela que a geração dos mais novos está agora a atravessar. O tempo urge, há sonhos que já não se podem realizar, há sonhos realizados que não deram a satisfação esperada. O tempo urge, porque limitado(...)"-Teresa Fagulha (Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.)

Nesta semana em particular e porque tenho uma amiga próxima e querida a passar por situações delicadas e muito difícieis de gerir ao mesmo tempo, com pessoas muito amadas em situação de fragilidade, fiquei bastante sensibilizada para estas situações dificílimas de viver por parte das/dos cuidadoras/os que, pelo país fora, apoiam a todos, em tudo, ao mesmo tempo.

Pessoas como ela são conhecidas pela imagem sugestiva (e claústrofóbica) de : "Geração sanduíche"...Compete-lhes cuidar e amparar a geração ascendente e continuar a cuidar, com zelo e devoção da geração descendente que ainda permanece em casa, ou que pela idade, ainda necessita de muita supervisão.

 Entaladas (porque a maioria dos cuidadores são mulheres) entre dois mundos distintos e exigentes, estas cuidadores têm a sua vida pessoal "em suspenso"...Mais ainda porque imensas vezes falamos daqueles que mais amamos ou que merecem/precisam irremediavelmente do nosso amparo... 

Fora todas as outras, com as quais nem temos tanto carinho ou afinidades mas que, por diferentes razões, só podem contar connosco em determinadas fases.

Estas cuidadoras vivem divididas entre o tanto que querem (devem) fazer e o que realmente conseguem concretizar...

E as solicitações não escolhem dia, nem hora, nem respeitam agendas...

As necessidades dos que estão (vão estando) ao nosso cuidado ecoam dentro de nós e instalam uma constante angústia, quer pela incapacidade de tudo gerir com eficácia (porque humanamente impossível), quer pelo cansaço (e o físico é aqui acrescentado em grandes doses...) que nos vai invadindo pela permanente disponibilidade...

Ou pela culpa e sensação de não conseguir dar conta do recado que nos impede de dormir.

Nesta fase, é muito importante como refere a minha amiga cuidandodemim,  cuidar (também) de nós, preservar-nos um pouco, para continuarmos a ter forças e animo para dar resposta a tudo com um mínimo de qualidade e humanidade e...Amor!

Força amiga - Sei que, apesar de tudo, no fim, vais dar conta do recado.

Os que contam contigo sabem que não lhes fallharão as contas.

E tu contas comigo ;)



publicado por Marta M às 22:13
Uma difícil situação que, muitas vezes não pensamos vir a acontecer-nos a nós! Excelente post!
Beijinhos
daplanicie a 9 de Janeiro de 2010 às 18:44

Olá!
Pois, pensamos, mas em algum momento, cedo ou tarde, acontece...E há que dar-lhe resposta.
Quanto a nós, há que ir preparando o futuro como se pode..Porque ele vem.
O pior ainda vai sendo assistir ao processo lento e imparável de alguma degradação física psíquica dos que amamos.
Triste.
Boa semana para ti.
Marta M a 10 de Janeiro de 2010 às 23:54

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Afinal quem penso que sou..
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