Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

 

Esta é imagem meus amigos.

Esta é a imagem que todos Têm e terão sempre da Alice...

Dizem que a Alice partiu hoje...Dizem...

Mas para nós que convivemos com ela e conhecemos, e sentimos, a sua Luz...Soa a impossível.

A luz de Alice iluminava a escuridão por onde passava. Abria janelas de esperança...

Iluminava o céu mais escuro, rasgando-o com a sua força e fé.

Obrigada Alice, obrigada pelo exemplo.

Descansa um pouco agora...

Até sempre amiga.


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publicado por Marta M às 12:52
Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Queridos amigos:

Volto hoje, apesar de estar numa época de reserva e recolhimento, porque estou a tentar crescer...

E crescer, leva energias, concentração e ...tempo.

Volto hoje, apenas para celebrar a Luz da Alice.

E porque lhe prometi que o faria no meu blog.

A vós todos, quero que saibam que continuam no meu coração e que,

cá em casa, tudo está um pouco melhor :)

Alice

Conheci a Alice há mais ou menos 3 anos.

Estava numa consulta de rotina com a minha filha e ela, voluntária do IPO passou por nós, atarefada e atenta, duas, três vezes...

E eu vi-a.

Comentei com a minha filha que aquela senhora tinha um luz forte e uma energia que se parecia poder tocar... A sala de consultas iluminava-se com o seu sorriso e passagem. E tratava-se alguém muito magra e com a ausência de cabelo que denunciava que, para além de voluntária, estávamos em presença de alguém que estava a meio de um tratamento de quimioterapia...

Sim, o seu corpo estava fragilizado, mas a sua alma estava resplandecente e a sua boa-vontade e ânimos contagiavam.

Não consegui resistir e disse para a minha filha que "tinha" que falar com ela, apesar dos seus rogos em contrário, fui.

Claro que fui recebida com um sorriso e com uma simpatia que nunca esqueci.

Não me enganara, a forma como a Alice falou, o entusiasmo e sabedoria do que disse e a sua disponibilidade serena para aceitar o que a vida lhe enviara - foi uma lição que nunca esqueci. Soubera da doença numa consulta ali mesmo, sozinha, e guardara-a para si durante mais de 24h porque.. era o dia do seu aniversário e não queria estragar a festa que a família preparara, nem entristecer o seu marido...

E contou-me como aguentou todas aquelas horas que pareciam não ter fim até que, todos atendidos e acarinhados, se foram embora para casa e ela pôde ficar sozinha...Com a sua circunstância e diagnóstico.

Nessa noite não dormiu e passou-a na varanda a pensar, a "pesar"...

E resolveu que havia de resistir e lutar - fosse como fosse.

Não era o fim do mundo - E não foi.

E haveria de dar um sentido a tudo o que lhe caia em cima

Partilhou tudo isto comigo, sem me conhecer e abriu-me a alma. E  eu abri-lhe a minha.

O tratamento era duro e exigente e ela a tudo correspondia e aceitava. Em paz. E sorrindo, pelo que vi e me contam.

Mas não era um riso alienado, ou de fuga..Era um sorriso sereno e cheio de vida, luminoso - porque sabia que, se essa provação viera à sua vida, era por alguma razão... E a razão foi "abrir-se", "dar-se".

Abriu-se aos outros, aos que sofriam como ela e resolveu partilhar, generosamente, as poucas energias que às vezes sobravam dos dias de tratamento.

Desde essa altura, e apenas com alguns intervalos em que a saúde não lhe permitia, tornou-se voluntária no IPO.

Hoje reencontrei-a e, papeis invertidos, reconheci-a pelo olhar, novamente, na sala de espera.

Mais cansada e mais magra, mas o mesmo sorriso e a mesma disponibilidade. E a mesma aceitação hoje, iniciado novo ciclo de quimioterapia....

Reconheceu-me e, rodeada de amigas, e fez questão de se levantar para me abraçar. Não faltavam braços para a acarinhar e  amparar, como se a vida lhe devolvesse o tanto que dá de si aos outros.

Agradeci-lhe tanto...

Foi por ela que estava ali, foi pelo seu exemplo que me tornara, também eu, mais disponível. E mais atenta.

A Alice é corajosa e lúcida, todos os que trabalham com ela o reafirmam.

E sublinham algo que se percebe à distância: é luminosa e inspiradora.

Concordo e agradeço este luxo que é poder partilhar e ser inspirada por alguém assim,que nos acrescenta, nos interpela e levanta a fasquia da qualidade para todos nós.

Obrigada de coração Alice.

Força, que estamos todos aqui a torcer por si! {#emotions_dlg.orangeflower}

:)



publicado por Marta M às 19:18
Domingo, 28 de Abril de 2013

Um tempo para recolher e um tempo para curar e autocurar-se.

Assim estamos.

A minha filha melhora todos os dias e os zumbidos perderam intensidade e acústica, incomodando muito menos, portanto.

Não têm sido fácil, mais numa idade em que se quer começar a vida e ela se torna num transito mais pesado...com obstáculos difíceis de ignorar.

Mas a minha filha tem fibra, alma e fundo e está disposta a lutar - a ultrapassar esta situação.

E a crescer e a superar-se a partir dela, sublinhe-se com orgulho.

Os tratamentos continuam, as expectativas do médico são encorajadoras, existem muitos casos de cura que nos animam e, devo destacar: As ajudas, as boas pessoas com as palavras certas e os conselhos produtivos têm sido uma constante.

Nada é em vão e nada é por acaso,

comprovamo-lo todos os dias.


publicado por Marta M às 12:16
Sábado, 30 de Março de 2013

Amigos:

Este ano tem sido se não o mais, pelo menos um dos mais difíceis da minha vida.

Não porque o meu pai ainda leva tempo a restabelecer-se, ou porque não encontro  uma escola, ou porque a minha coluna me doeu e incomodou durante mais de dois meses, ou porque a economia obriga a exercícios orçamentais como nunca...

Não foi nada disso que me fez recolhar desta forma.

O  que se passa há quase um mês é que a minha filha querida está doente e não é algo fácil de debelar.

Surgiu-lhe do nada, num sábado à noite, uma crise aguda e persistente de Acufenos (zumbidos) no ouvido direito e, desde esse dia, nunca mais desapareceram. Dia e noite.

Confiantes que fosse passageiro, ainda tentámos tratá-los e correr um Otorrino atrás do outro à espera do milagre. Foram 3 dias sem dormir até que, se colocou a hipótese de a internar numa Clínica de sono à procura de descanso e alívio.

Não dá para explicar melhor a experiência traumatizante e as primeiras noites que se que se passaram nesta casa...

Foi o desânimo e a impotência que podem imaginar...

Nada parecia conseguir aliviá-la na primeira semana. Foram momentos  muito duros.

Entre as duas perdemos 3 ou 4kg....

Depois, como sempre acontece, a pessoa certa chegou a nós ou nós chegámos a ela, e iniciámos um abordagem multilateral ao problema (que no fundo é um sintoma, não um doença em si) e entre tratamentos farmacológicos, acupunctura e neuro-psicólogo, o som começou a baixar e a dar alguma trégua. E minha filha conseguiu voltar a dormir à noite.

Estamos assim, correndo por entre dias pesados, com melhoras lentas, mas que nos trazem esperança e luz para continuar a luta.

Há uma razão para tudo, eu sei, e  dentro de nós existe muito mais força do que inicialmente conhecemos.

Por isso, sem desistir, continuaremos a nossa luta e todos os tratamentos prescritos.

Entretanto desejo a todos uma Santa Páscoa com o carinho de sempre.

Eu e a minha filha.



publicado por Marta M às 22:11
Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

 

Os meus vizinhos de cima, como provavelmente milhares de portugueses, perderam a sua casa.

Durante 23 anos estiveram aqui. Foi toda uma vida a senti-los  e a escutá-los aqui por cima...

Foram os filhos que criámos juntos, os aniversários, os cafés, os funerais, as partilhas grandes e pequenas quando nos encontrávamos na escada...

A conjuntura arrastou-os para uma situação em que já não conseguiram suportar financeiramente a prestação da sua casa e tiveram que a entregar ao banco. E nós, os que assistimos e confrontados com crueza dos factos, pensamos para nós: até quando aguentarei a minha?

Partiram com a dignidade e discrição possíveis e nós assistimos num silêncio cúmplice e impotente...

Na despedida, escolhemos as palavras na tentativa de minimizar a situação e torná-la mais confortável para todos. Sim, para todos, porque a todos doeu.

Eles partiram e levaram consigo um pedaço da nossa vida.

Quando  fecharam a porta e as persianas (que permanecem há duas semanas assim -em baixo) encerraram um capítulo de inúmeros sacrifícios, que sei levaram até ao limite, a tentar  manter a casa nos últimos  anos.

A casa sem móveis, sem cortinas, sem fotografias - sem eles que a tornavam viva - é a expressão desse tempo exigente e desesperançado que nos é dado viver.

Não deve estar fácil estar na pele deles...E continuar a lutar...

Devia doer também a quem tem responsabilidades pela situação de afundamento a que o país e as famílias chegaram.

Será que conhecem, de facto, o que se está a passar?

 Já o sentiram assim, na pele?

 

O silêncio que se instalou aqui por cima é insurdecedor.

E revoltante.



publicado por Marta M às 21:53
Domingo, 03 de Fevereiro de 2013
 
Hoje fui assistir a este filme e, como sempre me acontece, venho inspirada e de certa forma responsabilizada por tudo o que este filme nos/me recorda...
Recorda-nos (recorda-me) o tanto que alguns lutaram e deram de si em determinado momento da nossa história comum, para que hoje pudéssemos viver como vivemos -em liberdade e dignidade.
E, se usarmos a nossa boa consciência, ao nos confrontarmos com estes exemplos, passamos a não poder ignorar a herança humanaque corre nas nossas veias, americanos, portugueses....Ou humanos, tão simplesmente.
Somos feitos também dessa massa que é capaz de lutar e fazer cumprir a justiça e a igualdade. Ela continua no nosso ADN, mesmo que nos pareça adormecida cá dentro, debaixo de tudo o que lhe pusemos por cima...
Como já disse por aqui, sou grata a todos os que me antecederam e que, por poderosos sacrifícios e renúncias pessoais, colocaram o bem de todos à frente do seu, permitindo com esse gesto alargar os horizontes de toda a humanidade.
E é exactamente isto que faz falta a este país actualmente: Pessoas (políticos?) com visão e consciência.
Serão essa uma comjugação impossível? Acredito que não...
Continuo a acreditar que os políticos são, também, o resultado da nossa educação e exigência e, como não tomaram o poder por assalto, resultam directamente das nossas escolhas. Ou do nosso silêncio e conivência.
 
É essa  herança e essa responsabilidade que correm nas nossas veias e é por isso que, a minha medida e nas minhas condições,
procuro retribuir e continuar a ajudar à aparentemente interminável edificação de um mundo com lugar para todos.
Continuo a acreditar que "Melhor é possível" - L.Alves
 

 



publicado por Marta M às 20:13
Domingo, 20 de Janeiro de 2013

 

Amigos:

Não me esqueci de nenhum, tenho-vos acompanhado, muitas vezes em silêncio...

Mas continuo por aqui.

Continuo silenciosa porque devo incorporar e aprender a lidar com tudo o que tem sucedido na minha vida - não devo e não quero desperdiçar o alcance da lição...

Quero avançar e, com isso, conseguir "emancipar" a minha alma de velhos fantasmas.

Tenho que ir fundo dentro de mim e das minhas circunstâncias...
Só depois, lição aprendida e aceite, mais consciente e espero, mais serena, terei coisas novas e interessantes para partilhar.

Por enquanto estou assim: a processar...

Obrigada por me permitirem este espaço de manobra e não se esquecerem deste meu cantinho :)



publicado por Marta M às 19:42
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

 

Apesar da crise sistémica e do calendarizado Fim do Mundo, ele, imune a tudo isto, cá está - O Natal.
Eu, avessa a muitas comemorações(calendarizadas, ainda menos) cá estou, disposta a dar o meu melhor...
Este ano, dispensada do consumismo, por ausência de tempo e fundos, até estou um pouco mais entusiasmada :)
Desejos? Poucos, que isso já se mostrou perigoso e escorregadio.
Mas enfim, se conservar a saúde, reconhecer respeito e mantiver a paz de espírito alcançada, já agradeço.
Para oferecer? Tenho boa vontade, paciência e um que outro sorriso, chega?
Com carinho e especialmente  para os meus pacientes e queridos amigos do blog, fica esta partilha que ilustra o caminho que tenho estado a forçar-me fazer e que me tem ocupado o coração e absorvido a capacidade de escrever.. Por enquanto, compreendam, apetece-me mais escutar/ler...Que falar.
Obrigada :)
 

"Observa e assim consegues agradecer tudo o que a vida te dá.

Porque não achas que seja uma obrigação da vida dar-te essas coisas.
Imagina que prescindes de ter expectativas em relação às pessoas. Se elas falharem contigo ficas tranquilo, pois não esperavas nada. Se elas forem dóceis, sinceras e carinhosas, se forem amigas, cúmplices e companheiras, como não estavas à espera de nada, consegues ver e agradecer esses actos.
Normalmente o ser humano tem expectativas a mais, e tudo o que recebe acha pouco. Queria mais, achava que devia ter mais. E esse mais estraga tudo. Transforma o ser numa pessoa calculista, competitiva e mesquinha. E esse ser, nesse estado, só tem ressentimento. Não está grato por nada, não recebe nada porque acha que as coisas já são suas à partida. E esse ser vai ter mais decepções do que alegrias.

Vai ter mais ressentimento do que gratidão.

E uma alma sem gratidão não vai absolutamente a lado nenhum."

Alexandra Solnado -2011

 

Nota. Isto no que se refere às pessoas,dos responsáveis políticos exijo muito mais, claro!  {#emotions_dlg.hide}



publicado por Marta M às 19:53
Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Sempre fui muito independente e voluntariosa.

Ou tive que me fazer assim...

O certo é que existem momentos que nos testam forte e feio e temos que os saber "encaixar". Temos que, humildemente, perceber que existem coisas maiores que nós, e que temos que "aceitar" o ritmo e o  trânsito a que surgem.

Este é um destes momentos. 

Queira ou não, fui "obrigada" literalmente a enfrentar certos fantasmas que há muito me rodeavam...

Fui obrigada (ou obriguei-me perante a necessidade) a enfrentá-los e nesse exercício forçado, ultrapassado a dureza do momento - cresci.

E encontrei uma estranha paz de espírito e de consciência.

Estranho, estranho e misterioso.

Não posso e não devo ser mais explícita, embora gostasse...

Posso apenas afiançar que, às vezes, deixar-nos levar e confiar é muito mais pacificador. E acertado.

Mas não menos trabalhoso ou exigente, sublinhe-se.

Obrigada a todos os que mostram solidariedade,

o meu pai melhora todos os dias.

E eu também.

:)


publicado por Marta M às 16:29
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

 A todos os amigos que aqui deixaram uma mensagem e muita energia positiva, fica a minha penhorada gratidão.

À vida porque me permitiu aprender outra valiosa lição.

Foi bom vir aqui e ler palavras encorajadoras -ajudavam a pensar que não estava sozinha, como na realidade me sentia...

O meu pai recupera devagar e, apesar de alguma confusão pontual e de dores constantes, penso que conseguirá reconquistar a sua vida e a sua autonomia.

O meu pai vive sozinho e separado da minha mãe há muitos anos.

Vitima de atropelamento, fracturou a clavícula, a omoplata, duas costelas com consequente rasgão da Pleura e, o mais preocupante, uma ligeira FCE com um pequeno derrame interno. Tudo isto aos 76 anos, feitos ontem.

Foi um milagre não ter tido mais ferimentos. Ou não ter tido um desenlace mais triste.

Falarei com detalhe mais tarde sobre o transformadoras que foram estas duas últimas semanas, para ele e para mim, principalmente.

Frente a frente, estivemos sozinhos numa enorme casa perante a adversidade. E uma relação que sempre foi distante e tensa, perante a necessidade e  sem alternativa, tornou-se próxima e fisicamente dependente.

E instalou-se um sentimento de compaixão que restaurou amor...

Para queles que como eu, acreditam que nada ocorre em vão ou por acaso, partilharei mais isto, porque foi sentido e creio que muitos de nós, se estivermos atentos, recebemos sinais semelhantes...

Nesse dia  (Sábado) de manhã, quando  andava às compras, os meus olhos pararam num senhor que estava de costas para mim. Visto de  trás era exactamente como o meu pai.

Ele nunca se virou e não lhe procurei o rosto ( o meu pai mora longe daqui), mas fitei-o por momentos a pensar que sabia tão pouco dos hábitos do dia-a-dia e de compras do meu pai, que há tantos anos vive afastado e voluntariosamente autónomo...

Continuei por entre escolha a de laranjas a observá-lo de forma discreta e... o sentimento veio do nada:  Saudades.

Saudades? Mas de onde veio isto? - pensei.

Sem entrar em exposições desnecessárias ou na devassa da vida da minha família, direi apenas que "saudades" é um sentimento que experimentei poucas vezes nesta relação  que  está  longe de ser próxima ou fluida...

O sentido ficou a bater forte dentro de mim e falei dele ao almoço em casa, todos estranharam porque como referi, não é usual na nossa dinâmica familiar.

Senti-me estranha e incomodada toda a tarde.

À noite, 20.30h, veio a razão:

- "D.Marta M? É do hospital da G., o seu pai foi atropelado e segue, grave, para Coimbra".

 

Lemos e contam-nos sobre situações semelhantes, mas só quando acontece connosco

é que percebemos o quão surpreendente pode ser a vida.

E como ela nos conduz...

 



publicado por Marta M às 19:29
Quarta-feira, 07 de Novembro de 2012

Caros amigos do Blog:

Existem tempos de pausa e tempos de acção.

Neste momento em que me apetecia uma certa pausa para absorver algumas situações indigestas, a vida chama-me com a urgência que um acidente grave sempre impõe.

Estou a dar a apoio ao meu pai que se encontra hospitalizado fora de Coimbra, e requer muita atenção e cuidados continuados, porque vive sozinho.

Nos próximos dias não virei por aqui e peço por isso a vossa compreensão e solidariedade.

Tudo vai acabar bem, eu sei.

Mas de momento, estarei nesse cuidado mais atento.

Darei notícias quando tiver algum tempo mais pausado.

Um abraço grato a todos.

Marta M

 



publicado por Marta M às 13:41
Sábado, 20 de Outubro de 2012

Preocupa-me sobremaneira estas notícias que a crise (já não suporto a palavra) também nos traz.

 Os jornalistas do "Público" cumpriram um dia de paralisação contra o despedimento colectivo de 48 trabalhadores:

"Para lá da injustiça que representa para os trabalhadores, o despedimento colectivo comprometerá irreversivelmente a continuidade do Público como um jornal de referência", refere a notícia.

É exactamente assim, uma imprensa livre e de referência pressupõe uma imprensa independente de interesses, de partidos ou credos religiosos.

Ou de financiadores directos...

Uma imprensa livre que investiga, mostra, conta, expõe, denuncia interesses e informa o cidadão - é um garante de qualquer democracia saudável.

independência económica é vital para o acima enunciado se concretize -  E nada se faz sem financiamento, já se sabe...

Mais, diria até que uma imprensa livre, isenta e atenta foi sempre vital para a denúncia de abusos, para o esclarecimento do cidadão comum e para a formação de uma opinião mais esclarecida de todos nós.

Quantas vezes não foram os Jornais que impediram maiores abusos da classe dirigente ou do grande capital?

 E todos usufruímos desse trabalho de investigação e divulgação da verdade, não foi?

Já para não lembrar que foram também os jornais que  nos ajudaram a resistir contra a tirania, como tantas vezes aconteceu no passado não tão recuado do nosso país...Não era em vão que os Jornais eram censurados com o famoso lápis azul da PIDE que, no gesto persecutório, lhe reconheciam a  importância social.

Dito isto, lembro também que a grande fonte de financiamento dos jornais é a publicidade e, como se sabe neste momento, ela está muito, muito reduzida. As empresas procuram sobreviver e a publicidade tem sido sacrificada como se vê por aí.

Por isso e quando tantos se perguntam de que forma podem contribuir para a mudança de paradigma do país e para a saúde da nossa depauperada democracia, e entendem que manifestações ou protestos colectivos ou privados não estão na sua natureza, atrevo-me a fazer uma proposta: De vez em quando, mesmo neste período de contenção para todos, comprem um jornal uma ou duas vezes por semana. Serão apenas 1€ ou 2 €, mas para a tiragem do jornal fará alguma diferença e eles poderão continuar a existir como até aqui - com isenção e sem dependência directa de quem os financie e, portanto, os condicione...

Para que a verdade tenha sempre um espaço livre  e acessível a todos, há que dar da nossa parte, se possível, este pequeno contributo.

 No final, todos os contributos contam.



publicado por Marta M às 22:21
Vejo o mundo, somo o que me acontece, vejo os outros, as minhas circunstâncias....Escolho caminhos e vou tentando ver o "lugar" dos outros
Afinal quem penso que sou..
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Aviso:
As imagens que ilustram alguns posts resultam de pesquisas no google, se existir algum direito sobre elas, por favor,faça-me saber. Obrigada.
Lugares que Também visito ;)
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